A partir desta segunda-feira (8), profissionais de saúde da atenção primária que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) começam a receber a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de dezembro, a Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo, testada para ser aplicada em pessoas com idade de 12 a 59 anos.
Ministro da Saúde destaca importância da imunização
Em cerimônia na capital paulista, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a imunização abrange todas as equipes multiprofissionais de unidades básicas de saúde, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados. Padilha ainda visitou o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Instituto Butantan, em São Paulo, junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Vacinação em todo o país
Para imunizar os profissionais em todo o país, o Ministério da Saúde adquiriu um total de 3,9 milhões de doses da vacina Butantan-DV. O ministro Padilha ressaltou que o Instituto Butantan é 100% SUS, destacando a importância do desenvolvimento tecnológico e industrial do Brasil em benefício da saúde da população, sem foco exclusivo em lucros.
Eficiência da vacina
A Butantan-DV utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, semelhante a outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo. Segundo a Anvisa, a vacina apresentou uma eficácia global de 74,7% contra a dengue sintomática na população de 12 a 59 anos, prevenindo a doença em cerca de 74% dos casos. Além disso, demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e de dengue com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.
Pesquisa científica e resultados promissores
Uma pesquisa publicada pelo Instituto Butantan na revista científica The Lancet Regional Health – Americas mostrou que a vacina tem potencial para reduzir a carga viral em pessoas infectadas pelo vírus da dengue, prevenindo complicações. Ainda que alguns indivíduos tenham sido infectados após a vacinação, a carga viral neles foi significativamente menor do que em não vacinados, o que indicou a eficácia do imunizante na resposta imune e na redução da replicação viral nas células.



