Franca, SP – Um caso de desfecho trágico e motivação passional ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (11), quando Victor Faciroli Júlio, um metalúrgico de 23 anos, se apresentou à Polícia Civil de Franca e confessou o assassinato do entregador Diego Pereira de Almeida, de 20 anos. O crime, ocorrido no início do mês, teria sido motivado pela descoberta de uma suposta traição envolvendo a companheira do agressor e a vítima.
Acompanhado de um advogado na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Victor forneceu seu depoimento e foi liberado, mas as autoridades sinalizam que a prisão preventiva poderá ser solicitada após a conclusão do inquérito. Ele é investigado por homicídio duplamente qualificado.
O Ataque e as Consequências Fatais
O entregador Diego Pereira de Almeida foi alvo dos disparos em 5 de março, enquanto saía da garagem de sua residência no bairro Palermo City, zona Oeste de Franca. Segundo relatos da Polícia Militar, um motociclista o abordou, efetuou os tiros e fugiu do local. Imagens de câmeras de segurança de imóveis vizinhos registraram a ação, que chocou a comunidade.
Após ser gravemente ferido, Diego foi inicialmente socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Anita, sendo posteriormente transferido para a Santa Casa da cidade. Apesar dos esforços médicos, o jovem não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia seguinte, 6 de março.
A Motivação e o Plano Confessado
Conforme detalhado pelo delegado Márcio Murari, responsável pelas investigações, Victor Faciroli Júlio afirmou categoricamente que sua intenção era matar a vítima. O motivo alegado foi a descoberta de um relacionamento extraconjugal entre sua companheira, com quem vivia há cerca de oito anos, e Diego Pereira de Almeida. A suposta traição teria sido evidenciada por meio de troca de mensagens.
A partir dessa descoberta, o metalúrgico relatou ter adquirido uma pistola calibre .380 por R$ 10 mil em um local associado ao tráfico de drogas, sem, contudo, identificar o vendedor. Em seguida, utilizou uma motocicleta emprestada, da qual removeu a placa para dificultar a identificação, e se dirigiu à residência da vítima.
A Execução e a Fuga
O suspeito narrou que surpreendeu Diego enquanto ele deixava sua casa. Efetuou três disparos, certificando-se de que a vítima havia sido atingida. Após o ataque, Victor fugiu para uma chácara, onde se escondeu. Somente no dia seguinte, ele tomou conhecimento da morte do entregador.
Além de ocultar a arma utilizada no crime, o metalúrgico também escondeu a motocicleta emprestada, numa tentativa clara de dificultar as diligências policiais e evitar sua identificação imediata.
Próximos Passos da Investigação
Apesar da confissão e da elucidação de parte dos fatos, o delegado Murari indicou que o inquérito policial ainda não foi concluído. As investigações prosseguem para reunir mais informações, especialmente para detalhar a chegada do autor ao local do crime e para determinar se o ato foi premeditado ou uma decisão impensada. Aspectos como o planejamento minucioso do percurso e a ocultação de evidências são cruciais para a qualificação final do delito.
O caso de homicídio duplamente qualificado aguarda a finalização do inquérito, momento em que a Polícia Civil decidirá sobre o pedido de prisão preventiva do metalúrgico Victor Faciroli Júlio, que poderá responder por um dos crimes mais graves do Código Penal.
Fonte: https://g1.globo.com



