Médico é Investigado por Importunação Sexual Após Alegação de Toque Indevido e Relatos de Reincidência em UPA de Franca

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G1
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A cidade de Franca, no interior de São Paulo, é palco de uma grave investigação envolvendo o médico João Batista de Resende, de 67 anos. Ele é suspeito de importunar sexualmente uma paciente de 18 anos durante uma consulta em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O caso, que veio à tona na última semana, ganhou contornos mais sérios com o surgimento de relatos de que o comportamento impróprio do profissional seria recorrente, conforme apontado por funcionários da própria UPA e uma nova denúncia.

O Incidente na UPA: Um Diagnóstico Suspeito

A denúncia inicial partiu de uma jovem que procurou a UPA Jardim Aeroporto, em Franca, com queixas de dor de garganta. Após a triagem, onde não foi constatada alteração de temperatura, a paciente foi encaminhada ao consultório do Dr. Resende. Segundo o relato da vítima, o médico teria levantado sua blusa e, sob o pretexto de aferir a temperatura, tocou seus seios, introduzindo a mão entre a peça de roupa e o sutiã, afirmando que ela estava com febre. Assustada com a situação, a jovem deixou a sala e imediatamente contatou sua mãe.

A chegada da mãe à unidade de saúde elevou a tensão. Ao questionar quem seria o responsável pela UPA para apresentar uma reclamação, ela e a filha relataram que o médico se dirigiu à genitora com a expressão inadequada 'e aí, morena?'. Este comentário teria provocado uma altercação física entre a mãe e o médico, culminando na intervenção da Polícia Militar. O incidente foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) como importunação sexual mediante fraude, ressaltando o uso da profissão para induzir a vítima ao erro.

A Versão do Médico e as Medidas Tomadas

Em depoimento à polícia, João Batista de Resende não negou ter tocado os seios da paciente. No entanto, sua explicação para o procedimento foi evasiva. Questionado sobre a necessidade de aferir a temperatura dessa maneira, especialmente considerando que a triagem não havia indicado febre e a UPA deveria dispor de termômetros, o médico teria gaguejado e não soube justificar o ato. Ele alegou não ter solicitado outro termômetro por confiar na triagem anterior, o que contradiz sua justificativa inicial para o toque.

Diante da gravidade das acusações, a Secretaria de Saúde de Franca agiu prontamente, afastando o médico de suas funções. Adicionalmente, foi instaurado um processo administrativo rigoroso para apurar todos os fatos e garantir que todas as medidas cabíveis sejam tomadas. O Dr. Resende chegou a ser detido no dia do incidente, mas foi liberado após audiência de custódia no dia seguinte, enquanto a investigação prossegue para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

Padrão de Conduta: Outras Vítimas e Reincidência

A delegada Juliana Paiva, responsável pelo caso na DDM, destacou que o comportamento do médico pode não ser um evento isolado. Funcionários da UPA relataram à polícia que situações semelhantes eram recorrentes, utilizando a frase 'o doutor ataca novamente'. Essa informação é crucial para a investigação, sugerindo um padrão de conduta por parte do profissional de saúde.

A tese de reincidência foi reforçada quando, no dia seguinte ao incidente, outra mulher procurou a polícia para relatar uma experiência semelhante ocorrida em 2019. Essa vítima descreveu que, durante uma consulta por dor nas pernas, o médico teria passado as mãos de forma desconfortável em suas pernas, dirigindo o olhar para seus seios, rindo inadequadamente e fazendo perguntas estranhas. Embora a clareza sobre a importunação sexual neste caso específico ainda esteja sendo apurada, a delegada enfatizou que o comportamento inadequado do médico já foi constatado por ambas as versões das vítimas, consolidando a percepção de que o médico explorava sua posição de autoridade e a vulnerabilidade das pacientes.

A Investigação Continua

A delegada Juliana Paiva afirmou que a investigação está em curso para determinar a extensão das condutas do médico e identificar possíveis outras vítimas. A união dos relatos e a consistente observação dos funcionários da UPA solidificam a gravidade da situação. A apuração rigorosa dos fatos é fundamental para garantir a segurança e a integridade dos pacientes no ambiente de saúde, reafirmando que atos de importunação sexual cometidos sob o disfarce de procedimentos médicos não serão tolerados e serão devidamente punidos conforme a lei.

Fonte: https://g1.globo.com

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