A ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), manifestou veementemente seu descontentamento com as declarações do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Em um episódio que acirra os ânimos no cenário político estadual, Nunes referiu-se à ministra como 'marionete do Lula', provocando uma dura resposta de Tebet, que classificou a fala como 'agressiva', 'deselegante' e com conotações machistas, questionando a forma como as mulheres são tratadas na política.
A Polêmica Declaração e a Resposta Contundente
A controvérsia teve início na semana anterior, quando Ricardo Nunes foi indagado sobre a saída de Simone Tebet do MDB, partido ao qual foi filiada por quase 30 anos, para ingressar no PSB e concorrer a uma cadeira no Senado por São Paulo. O prefeito expressou surpresa com a mudança, afirmando: "Nunca imaginei que uma pessoa da envergadura dela aceitaria ser marionete de Lula aqui". Para Nunes, a ministra, com sua consolidada carreira política no Mato Grosso do Sul, incluindo passagens como prefeita e senadora, não se encaixaria nesse papel, contrastando-a com figuras como Tarcísio de Freitas, que não possuía raízes políticas em São Paulo.
A reação de Tebet não tardou. Durante o ato de sua filiação oficial ao PSB, a ministra refutou energicamente a pecha de 'marionete'. Ela enfatizou sua autonomia e independência, declarando que "tá pra nascer o homem que vai me direcionar e fazer de mim uma marionete". A ministra confirmou ter aceito o convite do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin para disputar o Senado, mas ressaltou que isso não implica submissão. Tebet foi além, sugerindo que a fala de Nunes revelava um comportamento agressivo e deselegante com "todas as mulheres brasileiras", insinuando um viés machista ao questionar se o prefeito teria a mesma coragem de usar tal termo caso ela fosse um homem.
A Trajetória e a Decisão por São Paulo
A ministra aproveitou a oportunidade para reiterar e justificar sua ligação com o estado de São Paulo, desmistificando a ideia de que sua candidatura seria um mero 'paraquedismo político'. Ela detalhou que estudou na capital, que suas filhas residem e estudam no estado, e que sua família possui empresas no setor do agronegócio em São Paulo. Tebet enfatizou que a política é uma missão e que sua vinda ao estado representa uma continuidade de sua trajetória, onde inclusive realizou seu mestrado, contribuindo para sua projeção política.
Curiosamente, Simone Tebet e Ricardo Nunes já foram aliados no cenário político recente. Em 2022, quando a ministra concorreu à presidência da República e obteve o terceiro lugar, ainda pelo MDB, Nunes esteve ao seu lado. A mudança de partido e a nova aliança de Tebet com a chapa de Lula e Fernando Haddad (PT) contrasta fortemente com o posicionamento de Nunes, que já declarou apoio a Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro, evidenciando uma reconfiguração nas alianças políticas para as eleições futuras.
O Cenário Político e a Nova Filiação Partidária
A formalização da filiação de Simone Tebet ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) ocorreu nesta sexta-feira (27), em um evento na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Após quase três décadas no MDB, a ministra embarca em um novo capítulo político, com o objetivo de disputar uma vaga no Senado Federal. A cerimônia contou com a presença de diversas figuras de destaque do PSB, incluindo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro Márcio França, o líder do PSB na Câmara Federal, Jonas Donizette, o presidente do PSB-SP, Caio França, e a presidente do PSB paulistano, Tabata Amaral, além de outros representantes partidários.
A chegada de Tebet ao PSB foi celebrada com grande entusiasmo pela sigla. Tabata Amaral, em seu discurso, enalteceu a coragem e o compromisso democrático de Tebet e Alckmin, atribuindo a eles um papel crucial na preservação da democracia em 2022. Ela destacou que a união dessas lideranças no mesmo partido é motivo de orgulho e que Tebet, com sua experiência e profundo conhecimento do Brasil, traz um valioso acréscimo à legenda. O vice-presidente Geraldo Alckmin também se manifestou, reforçando a importância da ministra para o partido e para o cenário político nacional.
O episódio entre Tebet e Nunes transcende a mera troca de farpas políticas, levantando debates importantes sobre a autonomia feminina na política e a forma como discursos podem reforçar ou desafiar estereótipos de gênero. À medida que as eleições se aproximam, a disputa pela cadeira no Senado por São Paulo promete ser um dos pontos nevrálgicos do pleito, com a ministra Tebet posicionando-se não apenas como candidata, mas como uma voz pela valorização da mulher no ambiente político.
Fonte: https://g1.globo.com



