Moradores e ambientalistas de Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, estão em estado de alerta após o surgimento de uma extensa mancha avermelhada nas águas de algumas de suas praias. O fenômeno, que confere uma coloração incomum ao mar, levanta fortes suspeitas de ser uma manifestação da chamada maré vermelha, um evento natural que, dependendo de sua intensidade e da espécie de microalga envolvida, pode apresentar riscos ambientais e à saúde humana.
Detalhes da Ocorrência e Preocupação Local
A alteração na coloração da água foi inicialmente documentada por meio de um vídeo capturado pelo fotógrafo Rafael Mesquita, que rapidamente circulou entre a comunidade local e nas redes sociais. As imagens revelam trechos significativos do mar, próximos à faixa de areia das praias do Curral e do Veloso, na região sul da ilha, exibindo uma tonalidade que varia do avermelhado ao marrom. Essa mudança brusca na paisagem costeira gerou apreensão imediata, levando a questionamentos sobre a segurança para banhistas e o impacto potencial na rica biodiversidade marinha da região.
Investigação e Monitoramento Ambiental
Diante da gravidade da situação, órgãos ambientais estaduais e centros de pesquisa foram prontamente acionados para investigar a causa e a natureza da mancha. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) confirmou o acompanhamento da ocorrência no Canal de São Sebastião e já procedeu à coleta de amostras da água afetada. Essas amostras serão submetidas a análises laboratoriais detalhadas para identificar os micro-organismos presentes, determinar sua concentração e verificar a possível existência de toxinas. A expectativa é que os resultados desses laudos sejam divulgados nos próximos dias, fornecendo clareza sobre a origem do fenômeno e suas implicações.
Paralelamente, o Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP) também está monitorando ativamente o caso. A participação de instituições renomadas garante uma avaliação abrangente e baseada em evidências científicas, fundamental para a tomada de decisões e a comunicação transparente com a população.
Compreendendo a Maré Vermelha e Seus Riscos
A maré vermelha é um fenômeno oceanográfico natural, caracterizado pela proliferação acelerada e em larga escala de certas espécies de microalgas, principalmente dinoflagelados, que podem conferir à água uma coloração atípica – frequentemente vermelha, marrom ou verde. Este crescimento explosivo, também conhecido como floração algal nociva (FAN), é geralmente desencadeado por uma combinação de fatores ambientais favoráveis, como temperaturas elevadas, alta incidência solar e a disponibilidade de nutrientes na água, muitas vezes provenientes de efluentes ou ressurgência.
Embora seja um processo natural, a preocupação maior reside no fato de que algumas dessas microalgas produtoras de maré vermelha podem liberar toxinas. Essas substâncias são capazes de afetar severamente a vida marinha, causando a morte de peixes, aves e mamíferos. Para os seres humanos, o contato direto com a água contaminada pode provocar irritações cutâneas, problemas respiratórios e oculares. O consumo de frutos do mar que tenham bioacumulado essas toxinas representa um risco ainda mais grave, podendo levar a intoxicações alimentares com sintomas neurológicos, gastrointestinais e até fatais, dependendo da toxina e da quantidade ingerida.
Recomendações e Próximos Passos
Enquanto os resultados das análises da CETESB não são finalizados e a extensão real do risco não é completamente estabelecida, a principal recomendação das autoridades ambientais é a prevenção. Aconselha-se veementemente que a população evite qualquer tipo de contato direto com as águas que apresentem coloração incomum, seja para banho, esportes aquáticos ou pesca. Esta medida cautelar visa proteger os moradores e turistas de possíveis irritações na pele e outros potenciais problemas de saúde associados à exposição às toxinas ou substâncias irritantes que possam estar presentes.
A comunidade aguarda com expectativa os laudos oficiais, que serão cruciais para confirmar a natureza da mancha, identificar as espécies de microalgas envolvidas e determinar a necessidade de medidas mais restritivas ou alertas específicos para o consumo de produtos do mar. O monitoramento contínuo das condições da água e a rápida divulgação de informações atualizadas serão essenciais para garantir a segurança pública e a saúde do ecossistema marinho de Ilhabela, um dos destinos turísticos mais importantes do litoral paulista.
Fonte: https://g1.globo.com



