Uma equipe de arqueólogos do Egito e da Itália fez uma descoberta significativa em Assuã, no sul do Egito. Em uma tumba escavada na rocha, próxima ao Mausoléu Aga Khan, foram encontradas múmias de crianças e um raro sarcófago de calcário com cerca de 1,8 metro de altura, preservado com inscrições hieroglíficas e vestígios de pintura original.
Os escritos identificam o proprietário da tumba como Ka-Mesiu, um importante funcionário de sua época. O sarcófago, apoiado sobre uma base esculpida na própria rocha, possui tampa em formato humano, com rosto entalhado e detalhes que representam uma peruca decorativa. As inscrições trazem orações dedicadas a divindades locais e referências aos familiares do sepultado.
Próximo ao sarcófago, os pesquisadores localizaram outros enterros, incluindo múmias de crianças. Exames de tomografia revelaram que uma delas tinha entre quatro e seis anos de idade, enquanto outra possuía entre oito e nove anos. As análises também identificaram adornos escondidos sob as faixas de tecido, além de fragmentos de madeira usados no processo de mumificação.
A descoberta reforça a importância arqueológica da região. Estudos recentes indicam que a necrópole ao redor do Mausoléu Aga Khan é muito maior do que se imaginava, com mais de 400 tumbas já mapeadas em uma área superior a 75 mil metros quadrados.
Os pesquisadores acreditam que o local foi utilizado por diferentes grupos sociais ao longo dos períodos ptolomaico e romano. Enquanto as famílias mais ricas eram enterradas no topo do planalto, integrantes da classe média ocupavam áreas mais baixas da encosta.
As escavações também ajudam a compreender a diversidade cultural da antiga Assuã, uma região de fronteira onde conviviam egípcios, núbios, persas, fenícios, gregos e romanos. Os objetos e múmias encontrados foram datados entre o século III antes de Cristo e o século II depois de Cristo, abrangendo cerca de cinco séculos de história.
Fonte: IG Notícias





