A demolição de uma vila composta por nove casas construídas em 1937, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, provocou indignação entre moradores e especialistas em patrimônio histórico. O conjunto foi derrubado poucos dias após o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) rejeitar o pedido de tombamento dos imóveis.
O caso ganhou repercussão porque a demolição ocorreu antes do encerramento do prazo administrativo para apresentação de recursos contra a decisão do conselho. Além disso, técnicos do próprio Departamento do Patrimônio Histórico haviam recomendado a preservação da área, classificando o conjunto como um importante registro da ocupação urbana e do modo de vida da classe média paulistana na primeira metade do século XX.
A ação aconteceu na manhã de 13 de junho, dia da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Em poucas horas, máquinas derrubaram completamente as edificações da Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, surpreendendo moradores da região.
A Prefeitura de São Paulo informou que o alvará de demolição apresentado no local estava sem validade e que a intervenção foi considerada irregular. Por isso, os imóveis foram embargados. A medida, porém, gerou questionamentos, já que a demolição já havia sido concluída.
Moradores afirmam que o documento exibido era um alvará emitido em 2018 e que uma decisão judicial de 2019 já havia suspendido sua eficácia. Especialistas também apontam que ainda estava em vigor o prazo legal para contestação da decisão do Conpresp.
Para antigos moradores e defensores da preservação histórica, a destruição da vila representa a perda definitiva de um patrimônio arquitetônico e de parte da memória urbana da capital paulista.




