
Pesquisa de cientistas do Butantan, USP e Unicamp revela que a proteína RASGRP4 é essencial para o crescimento de tumores e surge como potencial alvo terapêutico.
Pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificaram uma proteína essencial para a ativação de uma das principais vias moleculares relacionadas ao desenvolvimento do câncer. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostrou que a proteína RASGRP4 desempenha papel decisivo no crescimento tumoral em experimentos com camundongos.
A pesquisa, desenvolvida no Centro de Toxinas, Resposta-Imune e Sinalização Celular (CeTICS), financiado pela FAPESP, combinou modelagem matemática, simulações computacionais, análises genéticas e testes em animais para compreender como a proteína KRAS — frequentemente associada a diversos tipos de câncer — permanece ativa de forma contínua.
Os cientistas descobriram que a RASGRP4 atua como uma molécula indispensável para manter a ativação da KRAS. Quando o gene responsável por produzir essa proteína foi removido por meio da técnica de edição genética CRISPR-Cas9, houve uma redução expressiva na formação de tumores. Em quatro dos seis camundongos analisados, nenhum tumor se desenvolveu durante o período de observação. Nos demais, o crescimento foi significativamente mais lento.
O estudo também mostrou que a RASGRP4 é produzida em níveis muito superiores aos da proteína SOS, anteriormente considerada a principal ativadora dessa via molecular.
Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça que o comportamento do câncer depende não apenas da presença de genes alterados, mas também da forma como essas moléculas interagem dentro das células.
O próximo passo será avaliar o papel da RASGRP4 em tumores humanos, como o neuroblastoma. Caso os resultados sejam confirmados, a proteína poderá se tornar um novo alvo para o desenvolvimento de terapias mais seletivas, capazes de bloquear o crescimento tumoral sem comprometer funções essenciais das células saudáveis.

Fonte: Agência Fapesp



