Itamambuca passa a integrar rede mundial de ciência cidadã que monitora erosão, faixa de areia e impactos ambientais com imagens enviadas por moradores e turistas.
A praia de Itamambuca, em Ubatuba, passou a integrar a rede internacional CoastSnap, iniciativa de ciência cidadã que utiliza fotografias feitas por celulares para acompanhar as transformações do litoral. O projeto chega ao Litoral Norte paulista com o objetivo de ampliar o monitoramento ambiental e envolver a população na conservação das praias.
A participação é simples. Moradores e visitantes utilizam um dos quatro totens instalados na praia, posicionam o celular no suporte, registram a imagem sempre do mesmo ângulo e enviam a fotografia por meio de um QR Code disponível na estrutura.
As imagens são analisadas por pesquisadores e transformadas em dados científicos capazes de acompanhar a evolução da linha da costa, medir a largura da faixa de areia, identificar processos de erosão, monitorar alterações na vegetação e avaliar impactos ambientais ao longo do tempo.
A implantação em Itamambuca é resultado de uma parceria entre o Instituto de Cultura Oceânica (ICOA), responsável pela Reserva Nacional de Surf de Itamambuca, o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que coordena a rede CoastSnap Brasil.
O projeto já está presente em mais de 100 países e utiliza uma metodologia padronizada para transformar fotografias em informações de alta precisão sobre a dinâmica costeira. Além do monitoramento da erosão, os registros também auxiliam estudos sobre balneabilidade, correntes de retorno, ocupação das praias, presença de resíduos e impactos das mudanças climáticas.
Segundo os pesquisadores, o grande diferencial do CoastSnap é o baixo custo da tecnologia. Enquanto sistemas tradicionais de monitoramento podem custar dezenas de milhares de reais, cada estação do projeto pode ser instalada por cerca de R$ 600, permitindo ampliar a cobertura em um país com mais de 8,5 mil quilômetros de litoral.
Apesar dos avanços, o projeto enfrenta desafios como o baixo engajamento do público e atos de vandalismo contra os totens. Ainda assim, a expectativa é expandir a iniciativa para outros estados e fortalecer a participação da sociedade na produção de informações científicas voltadas à preservação do litoral brasileiro.

Totens em Itamambuca
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo)




