Super El Niño deve intensificar ondas de calor e desafiar agricultura no interior de São Paulo

Preparação e adaptação serão decisivas diante dos desafios impostos pelo Super El Niño.

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Depois de bater recorde de menor temperatura do ano, Piracicaba alcançou 30ºC em pleno inverno Foto: Claudia Assencio/g1
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  • Super El Niño, ondas de calor, agricultura, interior paulista, cana-de-açúcar, hortaliças, mudanças climáticas, Inpe, Cemaden, Esalq-USP

Especialistas alertam para calor acima da média, chuvas irregulares e eventos climáticos extremos. Cana pode ser beneficiada, enquanto hortaliças tendem a sofrer perdas.

O interior de São Paulo deve enfrentar um período de forte instabilidade climática com a intensificação do chamado Super El Niño, prevista para atingir seu pico entre setembro de 2026 e o início de 2027. Embora os impactos sejam menos extremos do que os esperados nas regiões Norte, Nordeste e Sul do país, especialistas alertam que o estado não está imune aos efeitos do fenômeno.

As projeções indicam ondas de calor mais frequentes, temperaturas de até 2°C acima da média e chuvas irregulares, alternando períodos de estiagem com tempestades intensas. O cenário aumenta o risco de enxurradas, alagamentos, seca prolongada e pressão sobre os recursos hídricos e o sistema elétrico.

Safra de cana-de-açúcar pode perder produtividade onda

de calor e falta de chuvas se prolongarem, afirma o

vice-presidente da Coplacana de Piracicaba

Foto: Claudia Assencio/g1

Na agricultura, os efeitos variam conforme a cultura. A cana-de-açúcar deve ser favorecida pelas condições de maior umidade e temperaturas elevadas, com expectativa de aumento da produtividade. Já a produção de hortaliças tende a enfrentar maiores dificuldades, devido ao excesso de calor e umidade, fatores que elevam os custos de manejo e podem pressionar os preços dos alimentos durante o verão de 2026/2027.

Produtores de hortaliças perdem produção

após temporais em Piracicaba

Adoção Pet Love

Foto: Edijan Del Santo/EPTV

Pesquisadores da Esalq-USP, do Inpe e do Cemaden destacam que São Paulo é uma área de transição climática, onde o El Niño não segue um padrão único, tornando a previsão dos impactos mais complexa. Ainda assim, há consenso de que o aumento da frequência das ondas de calor será o efeito mais consistente do fenômeno.

Para reduzir os impactos, especialistas defendem medidas de adaptação, como ampliação da arborização urbana, recuperação de matas ciliares, melhoria da drenagem, criação de cidades mais permeáveis e fortalecimento das ações de prevenção a desastres naturais.

Piracicaba teve junho mais chuvoso

em dez anos, aponta Esalq-USP

Foto: Claudia Assencio/g1

Fonte: G1

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