Especialista afirma que apostas online ativam o cérebro de forma semelhante ao álcool e ao tabaco, ampliam o risco de dependência e exigem ação conjunta de apostadores, Estado e empresas do setor.
O crescimento das apostas esportivas e dos cassinos online colocou o Brasil diante de uma nova crise de saúde pública. O alerta é do psiquiatra Hermano Tavares, fundador do Ambulatório do Jogo Patológico do Hospital das Clínicas da USP, que classifica o momento como o “meio de um tsunami” da dependência em jogos.
Em entrevista ao programa Roda Viva, o especialista explicou que o ato de apostar ativa os mesmos circuitos cerebrais relacionados à formação de hábitos estimulados por substâncias como álcool e tabaco. Segundo ele, isso faz com que as apostas deixem de ser um simples entretenimento e passem a representar um comportamento de alto potencial de dependência.
Para Tavares, a popularização das plataformas digitais agravou o problema. Hoje, o acesso ao jogo ocorre em poucos segundos, por meio do celular, permitindo apostas em qualquer lugar e a qualquer momento. Essa facilidade amplia o número de pessoas expostas ao risco e aumenta a demanda por atendimento especializado.
O psiquiatra também critica o conceito de “jogo responsável”. Na avaliação dele, a expressão transfere ao consumidor toda a responsabilidade pelos danos, enquanto reduz a responsabilidade de empresas e do poder público. Para o especialista, apostar sempre envolve risco financeiro e não pode ser tratado como uma atividade inofensiva.
Como alternativa, Tavares defende uma responsabilidade compartilhada. O apostador deve agir com consciência sobre os riscos; o Estado precisa investir em informação, prevenção, regulamentação e tratamento; e as empresas do setor devem abandonar estratégias que estimulem falsas expectativas de ganho financeiro ou induzam o jogador a permanecer nas plataformas.

Fonte: IG Notícias



