Investigação aponta organização criminosa no aliciamento digital de crianças e adolescentes; 624 suspeitos já foram presos ou apreendidos.
Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo revelou que grupos envolvidos no aliciamento e na exploração sexual de crianças e adolescentes pela internet adotam uma estrutura semelhante à de facções criminosas, com divisão de funções e hierarquia definida.
Segundo o Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad), criado há um ano e meio, cerca de 1,3 mil vítimas foram identificadas, sendo 96% meninas entre 6 e 15 anos. No período, 624 suspeitos foram presos ou apreendidos, enquanto outros 2 mil permanecem sob monitoramento.
As investigações apontam que o aliciamento começa em aplicativos e plataformas digitais, geralmente por meio de falsas relações de amizade ou namoro. Após conquistar a confiança da vítima, os criminosos passam a ameaçá-la e coagí-la a produzir conteúdo íntimo, praticar automutilação e, em casos extremos, tentar o suicídio.
De acordo com a polícia, os grupos possuem funções específicas, como líderes, administradores, moderadores e integrantes responsáveis pelo contato direto com as vítimas. A maioria dos investigados tem entre 11 e 17 anos e busca reconhecimento dentro dessas comunidades virtuais.
Um caso recente envolveu uma menina de nove anos, resgatada durante uma transmissão ao vivo em que era pressionada a ingerir medicamentos. A intervenção policial evitou um desfecho mais grave.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que os registros de crimes relacionados ao material de abuso sexual infantil cresceram 25% em 2025. O levantamento também revela que um em cada três autores identificados é adolescente, evidenciando a expansão da violência digital entre jovens.
As plataformas citadas nas investigações, como Discord, Telegram e Roblox, afirmam possuir políticas de combate à exploração infantil, sistemas de moderação e cooperação com as autoridades para identificar e remover conteúdos ilegais.

Fonte: G1



