Entrada em massa de migrantes no enclave espanhol reacende o debate sobre controle de fronteiras, regularização e unidade política dentro da União Europeia.
A chegada de cerca de 50 mil migrantes a Ceuta, enclave espanhol no Norte da África, provocou uma nova crise migratória e evidenciou divergências entre os países da União Europeia. Às vésperas de uma reunião de emergência dos ministros do Interior, 22 dos 27 membros do bloco assinaram uma carta cobrando uma postura mais rígida da Espanha no controle das fronteiras externas.
O documento, liderado por Itália e Dinamarca e apoiado pela Alemanha, afirma que redes de tráfico humano teriam explorado uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol sobre devoluções de migrantes no mar. Os signatários defendem o reforço das fronteiras e alertam que políticas de regularização podem estimular novas entradas irregulares.
O governo espanhol rejeita essa interpretação. O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou a carta como “egoísta, polarizante e ilegal” e afirmou que a regularização aprovada pelo país beneficia apenas estrangeiros que já residiam legalmente em território espanhol antes do prazo estabelecido. Segundo ele, a medida busca suprir a falta de mão de obra e não se aplica aos migrantes que chegaram recentemente a Ceuta.
França, Portugal, Irlanda e Luxemburgo ficaram fora da carta. Enquanto Paris reforçou a fiscalização na fronteira, Lisboa demonstrou confiança na capacidade da Espanha de realizar as repatriações e defendeu uma política que combine controle, acolhimento e cooperação internacional.
A reunião desta terça-feira deve discutir uma resposta conjunta da União Europeia, incluindo eventual reforço no apoio à Espanha para proteger as fronteiras externas do bloco.

Fonte: Band Notícias



