Desembargadora Ivana David afirma que criminosos adaptam métodos de violência para driblar mecanismos de proteção e reforça importância da denúncia.
A violência contra a mulher desafia continuamente a Justiça brasileira. Para a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, os avanços na legislação e nas ferramentas de proteção não têm sido suficientes para impedir que agressores encontrem novas formas de violência.
Em entrevista ao Brasil Urgente, a magistrada afirmou que existe uma preocupante assimetria: enquanto o Estado aprimora os mecanismos de proteção, homens violentos adaptam suas estratégias para manter o controle sobre as vítimas.
Um dos exemplos citados é o vicaricídio, prática que consiste em matar ou ferir pessoas próximas da mulher, como filhos ou pais, para provocar sofrimento emocional. Segundo Ivana David, o crime revela uma lógica de posse e controle que pode se intensificar diante da independência emocional ou financeira da vítima.
A magistrada também chamou atenção para os sinais que podem anteceder agressões mais graves. Desmerecimentos, piadas depreciativas, empurrões, controle e isolamento social podem indicar o início de um ciclo de violência.
Futebol como fator de risco
Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) reforça a preocupação. Segundo a segunda edição da pesquisa Futebol e violência contra a mulher, registros de lesão corporal dolosa aumentam 28,9% em dias de jogos, enquanto as ameaças crescem 27,4%.

Entre mulheres de 15 a 29 anos, o aumento chega a 44,4%. O levantamento analisou dados de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte entre 2023 e 2025.
Para Ivana David, o desafio é agir antes que a violência chegue ao extremo. Ferramentas como a Ronda da Mulher, a Delegacia Eletrônica e medidas protetivas ampliam a resposta do poder público, mas a denúncia continua sendo fundamental para interromper o ciclo de agressões.
Fonte: Band Notícias



