Crise em Ceuta deixa milhares de menores migrantes sem vagas em abrigos

Entre a fronteira e a esperança de um futuro melhor.

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Menores dormem em abrigos improvisados nas ruas de Ceuta, território espanhol no norte da África Jan-Philipp Scholz
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  • Ceuta | menores migrantes | crise humanitária | Espanha | acolhimento | imigração | crianças | fronteira

Crianças e adolescentes permanecem nas ruas após chegada em massa de migrantes; autoridades espanholas enfrentam superlotação dos serviços de acolhimento

Estima-se que entre 3 mil e 5 mil menores migrantes permaneçam em Ceuta, território espanhol no norte da África, mais de duas semanas após um intenso fluxo de pessoas pela fronteira. Muitos estão vivendo em barracas improvisadas ou nas ruas porque os centros de acolhimento da cidade estão superlotados.

A situação levou os serviços públicos ao limite. O prefeito de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirma que a capacidade de atendimento a menores está muito acima do previsto e que as estruturas locais não conseguem oferecer assistência adequada a todos.

Crianças enfrentam condições precárias

Entre os migrantes está Amina*, de 14 anos, que chegou à cidade com o irmão. Segundo o relato apresentado na reportagem, ela vive em condições precárias e afirma não ter acesso adequado a banheiros.

Malika*, que chegou com quatro filhos, também relata dificuldades para conseguir atendimento médico. Segundo ela, uma das crianças teve febre alta, mas não conseguiu ajuda e tentou tratar o filho por conta própria.

A proximidade do início do ano letivo aumenta a preocupação de algumas famílias, que dizem não ter recursos para comprar roupas e materiais escolares.

Polícia investiga denúncias de violência sexual

Outro ponto de preocupação são as denúncias de violência sexual contra menores. A polícia de Ceuta investiga pelo menos 15 suspeitas de estupro, segundo a reportagem, enquanto profissionais de saúde relatam o atendimento de possíveis vítimas.

A médica de emergência Susana Ascaso afirma que meninas menores de idade estão particularmente vulneráveis diante das condições atuais e da concentração de homens entre os migrantes.

Autoridades locais pedem reforço policial para proteger mulheres e crianças e garantir a segurança na cidade.

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Espanha discute transferência dos menores

O governo espanhol anunciou a intenção de distribuir os menores migrantes entre diferentes regiões do país, conforme previsto na legislação. Até o momento, porém, não havia um cronograma definido para a transferência.

A medida enfrenta resistência em algumas regiões onde o partido de ultradireita VOX participa do governo. Enquanto isso, autoridades de Ceuta defendem que menores sejam reunificados com suas famílias ou, quando possível, encaminhados para estruturas de proteção no Marrocos.

Apesar das condições precárias, alguns adolescentes afirmam que não pretendem retornar aos países de origem. Amina, por exemplo, diz que deseja permanecer na Europa para estudar e se tornar arquiteta.

*Nomes alterados pela redação.

Fonte: IG Notícias

Gráfica e Editora Copbem, sempre causando uma boa impressão
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