Arquiteto Jardi Oliveira usa cortes técnicos em aquarela para mostrar as camadas subterrâneas de cartões-postais de São Paulo.
São Paulo tem uma cidade escondida sob aquela que todos conhecem. Túneis, galerias, rios canalizados, estações de metrô, criptas e outras estruturas subterrâneas ganham forma nas aquarelas do arquiteto e ilustrador Jardi Oliveira.
No projeto “Ilustrando o Mundo”, o artista utiliza cortes técnicos para “abrir” a cidade ao meio e mostrar o que existe abaixo das ruas. Entre os locais retratados estão o Masp, o Parque Ibirapuera, a Estação Pinheiros, a Catedral da Sé e a Estação da Luz.
A ideia começou em 2018, como hobby nas redes sociais. A publicação do corte do Masp, porém, mudou o rumo do projeto. O perfil passou de cerca de 3 mil para quase 30 mil seguidores e alcançou milhões de visualizações.
A relação de Jardi com o desenho começou na infância. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Unesp, ele trabalhou por mais de 15 anos com modelagem 3D e também foi professor universitário. Neste ano, deixou um escritório internacional para se dedicar à produção artística.
Para o arquiteto, a aquarela permite unir informação e poesia. O corte técnico funciona como um “raio-X” urbano, capaz de revelar estruturas que fotografias e imagens aéreas não mostram.
Cada ilustração nasce de pesquisa, observação e reconstrução. Jardi procura plantas, documentos históricos e informações sobre os locais. Quando não encontra material técnico, visita os espaços, analisa a topografia e recorre ao próprio conhecimento de arquitetura.
O artista também ressalta que suas obras têm caráter artístico e educativo, e não devem ser interpretadas como projetos executivos de engenharia. Alguns elementos são deslocados ou adaptados para facilitar a compreensão visual.

A Estação da Luz foi um dos trabalhos que mais ampliaram seu conhecimento, ao permitir conectar a história da antiga São Paulo Railway, o metrô e equipamentos culturais da região. Já o corte do Masp é considerado seu favorito.
Agora, Jardi prepara novas obras sobre o Centro Histórico, metrô, CPTM e os rios invisíveis da capital. Também trabalha em dois e-books: um sobre o “antes e depois” de 15 cidades brasileiras e outro dedicado aos mundos ocultos de São Paulo.
Fonte: G1




