Presidente de rede de hospitais de SP é afastado após denúncias de assédio e racismo

Denúncias avançam, investigação busca esclarecer os fatos.

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Fachada do Igesp, em SP — Foto: Reprodução/Igesp
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  • Fernando Moredo, Trasmontano Saúde, assédio sexual, racismo, denúncias, Ministério Público, Justiça, afastamento
Dra Marcela Paiva

Fernando José Moredo, de 85 anos, nega as acusações. Denúncias relatam supostos episódios de assédio sexual, importunação e comentários racistas ao longo de anos.

O presidente-executivo do grupo Trasmontano Saúde, Fernando José Moredo, de 85 anos, voltou a ser afastado do cargo após denúncias de funcionárias que relatam supostos episódios de assédio sexual, importunação sexual e racismo. O caso é alvo de uma notícia-crime apresentada ao Ministério Público de São Paulo.

Segundo os relatos reunidos em procedimento administrativo, as abordagens teriam ocorrido durante anos e incluiriam comentários de cunho sexual e racial, perguntas sobre a vida íntima, ofertas de dinheiro e bens e contatos físicos sem consentimento. Uma das denunciantes afirmou que os episódios teriam começado há cerca de 25 anos.

Outra funcionária relatou supostos episódios durante a gravidez e afirmou ter sido vítima de abordagens de natureza sexual. Há ainda denúncia de que Moredo teria oferecido dinheiro e bens para que uma funcionária terminasse um relacionamento.

Uma das mulheres também relatou supostas falas racistas relacionadas à sua aparência e raça. Os depoimentos foram apresentados após funcionárias de diferentes áreas formalizarem denúncias em maio deste ano.

Moredo nega as acusações. Em nota, a defesa afirmou que não há prova idônea contra o executivo e alegou irregularidades no procedimento administrativo, além de mencionar uma disputa interna pelo controle da empresa. O advogado Miguel Dante Machado declarou que “acusação não é prova” e defendeu uma investigação com contraditório e ampla defesa.

O afastamento passou por uma disputa judicial. Em 18 de agosto, a 40ª Vara Cível determinou o retorno de Moredo à presidência por entender que havia irregularidades formais no procedimento interno. A empresa recorreu e argumentou que a volta do executivo poderia representar risco de intimidação às denunciantes.

AgênciaModerna

Na quinta-feira (20), uma nova decisão determinou novamente o afastamento de Moredo. Entre as medidas solicitadas pela empresa estão restrições de acesso aos locais de trabalho das denunciantes e proibição de contato com elas.

Fonte: G1

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