Tragédia na fronteira com o Tibete foi provocada por uma parede de gelo, lama e rochas que desabou sobre um rio; buscas entram no segundo dia
A avalanche que atingiu uma região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, deixou pelo menos 332 mortos e mais de 1,3 mil desaparecidos, segundo os números divulgados pelas autoridades. As equipes de resgate entram nesta quinta-feira (27) no segundo dia de buscas por sobreviventes.
A força da enxurrada de água, lama e pedras destruiu estradas, pontes, casas e estruturas de geração de energia. Vales e encostas ficaram cobertos por toneladas de destroços, dificultando o acesso das equipes de emergência.
Mais de 5 mil militares e policiais participam da operação. Helicópteros foram usados no primeiro dia para localizar vítimas e levar suprimentos a comunidades isoladas. Dezenas de pessoas já foram resgatadas, mas moradores ainda procuram informações sobre familiares desaparecidos.
No Nepal, 823 pessoas são consideradas desaparecidas, incluindo cerca de 700 estrangeiros. No Tibete, outras 558 pessoas estão desaparecidas, sendo 260 estrangeiros. O mau tempo e as condições do terreno dificultam o avanço das equipes.
Geleira pode estar na origem da tragédia
Imagens de satélite analisadas por especialistas indicam que uma parte da geleira do Himalaia pode ter se desprendido a cerca de 5.200 metros de altitude e despencado aproximadamente 1.200 metros até o fundo de um vale.
A queda teria levado gelo, rochas e sedimentos para o rio Lhende, provocando uma reação em cadeia. O material pode ter bloqueado o curso d’água e formado uma espécie de barragem natural. Com o acúmulo de água, a barreira teria cedido, liberando uma onda de lama, pedras e água pelo vale.

Cientistas do Nepal e da China investigam essa hipótese. O geólogo Dan Shugar, da Universidade de Calgary, identificou nas imagens de satélite sinais compatíveis com um grande colapso de gelo.
Ainda não há, porém, uma conclusão definitiva sobre a causa. Entre os fatores que também estão sendo analisados estão o derretimento de neve nas horas anteriores e possíveis obras na região.
Especialistas também alertam que não é possível afirmar, até o momento, que o aquecimento global tenha provocado diretamente o rompimento da geleira.
Fonte: IG Notícias




