Estudo da Unifesp com 4,2 mil adolescentes mostra que agressões virtuais geralmente estão ligadas ao bullying presencial e exigem ações integradas nas escolas.
Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que o cyberbullying raramente ocorre de forma isolada. As agressões virtuais costumam ser uma extensão de conflitos que já acontecem no ambiente escolar.
A pesquisa, publicada na revista Psychiatry Research, analisou 4,2 mil estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio e identificou três perfis. Quase metade, 48%, não apresentou envolvimento relevante com violência. Outros 46% relataram sofrer ou praticar bullying principalmente na escola. Já 6% foram classificados como vítimas e agressores em múltiplos contextos, tanto presencialmente quanto pela internet.
É justamente esse menor grupo que concentra os maiores riscos. 52,4% apresentaram sintomas psicológicos em nível clínico, contra 12,5% entre adolescentes sem envolvimento com bullying. O estudo também identificou maior associação com consumo de álcool, cigarro e outras drogas.
Segundo os pesquisadores, o problema não pode ser tratado de forma isolada. Combater o bullying, cuidar da saúde mental e prevenir o uso de substâncias precisam fazer parte de uma mesma estratégia.
Os sinais de alerta incluem isolamento, irritabilidade, agressividade e mudanças persistentes de comportamento que prejudicam os estudos e a convivência. O bullying também pode aparecer por meio de exclusão social, humilhações, insultos e comentários sobre aparência e peso.
Outro dado chama atenção: o tempo de tela não diferenciou os grupos. Para os pesquisadores, mais importante do que quantas horas o adolescente fica conectado é saber com quem ele interage e o que acontece nesses ambientes.
Desde 2024, bullying e cyberbullying são considerados crimes no Brasil. Em 2025, foram registrados 4.549 casos de bullying e 677 de cyberbullying contra crianças e adolescentes.

Em São Paulo, os resultados da pesquisa já ajudam a orientar políticas públicas. O programa Prisma, iniciado em 2026, reúne prevenção ao uso de álcool e drogas, combate ao bullying e cyberbullying e educação emocional em escolas estaduais.
A conclusão é clara: a violência que começa na escola pode chegar às telas — e a prevenção precisa acompanhar esse caminho.
Parte dos achados da pesquisa contribuiu para a criação do Prisma, um programa implantado em 2026 no Estado de São Paulo, voltado a estudantes do 8º e 9º ano do ensino fundamental. O Prisma está sendo testado em 36 escolas estaduais de seis cidades, com a participação de quase 5 mil adolescentes
Fonte: Agência Fapesp




