Monções, seca, incêndio florestal e El Niño podem ter contribuído para a força das enchentes que deixaram mortos e destruíram estruturas.
As enchentes repentinas no Grand Canyon, no Arizona, deixaram ao menos duas pessoas mortas, uma desaparecida e cerca de 80 resgatadas após a tempestade que atingiu o parque no sábado (29). A água arrastou rochas e destroços, destruiu passagens e danificou estruturas na região de uma das trilhas mais visitadas do parque.
O desastre ocorreu durante a temporada de monções, típica do verão no sudoeste dos Estados Unidos. A mudança na circulação dos ventos aumenta a entrada de umidade e favorece tempestades intensas, principalmente em áreas montanhosas. No Grand Canyon, a geografia íngreme facilita o escoamento rápido da água, aumentando o risco de enchentes repentinas.
Outro fator é o incêndio Dragon Bravo, provocado por um raio em julho de 2025. A chuva atingiu parte da área queimada. Com a perda da vegetação, o solo pode absorver menos água, favorecendo o escoamento superficial e ampliando o impacto das enxurradas.
A região também enfrenta anos de seca, associados por especialistas às mudanças climáticas. A combinação entre solo seco, pouca vegetação e relevo acidentado pode tornar as chuvas intensas ainda mais perigosas.
O El Niño é outro elemento apontado por especialistas. O fenômeno pode aumentar a quantidade de vapor d’água na atmosfera e intensificar as tempestades no sudoeste americano. Estudo citado na reportagem indica que chuvas intensas e de curta duração no oeste dos EUA ficaram cerca de 10% mais fortes desde 2000.

A enchente também provocou danos graves ao sistema de abastecimento. Cerca de 40% da única tubulação de água do Grand Canyon foi danificada, com quilômetros de estrutura possivelmente destruídos. O sistema, construído na década de 1970, já havia rompido mais de 85 vezes desde 2010.
Fonte: IG Notícias



