MP denuncia policiais de SP por suposta propina para liberar cargas ilegais

Uma investigação que revela suspeitas dentro da própria polícia.

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  • MP-SP , GAECO , POLÍCIA CIVIL , PROPINA , CELULARES , OPERAÇÃO MERX , R$ 2,35 MILHÕES , INVESTIGAÇÃO

Investigação aponta quatro negociações em 2024, com pagamentos que somariam R$ 2,35 milhões e envolvimento de policiais, advogado e empresário.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Gaeco, denunciou policiais civis suspeitos de cobrar propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos. Segundo a denúncia, os agentes exigiam cerca de 70% do valor das mercadorias. Em quatro episódios de 2024, os pagamentos teriam chegado a R$ 2,35 milhões.

As investigações começaram após a prisão de Thiago Marcel Magnabosco, em 17 de dezembro de 2024. Conversas encontradas em seu celular apontaram negociações nos dias 17 de junho, 1º de julho, 29 de agosto e 17 de dezembro.

No primeiro caso, uma carga avaliada em cerca de R$ 400 mil teria sido liberada após um “acerto”. Segundo o MP, parte dos produtos foi apreendida apenas para dar aparência de legalidade, enquanto o restante teria sido devolvido.

Em julho, um caminhão com mais de 4 mil celulares teria tido somente 250 aparelhos apreendidos. A investigação aponta participação do advogado Sidiclei da Costa Almeida e dos policiais Marcos Vinicius de Souza Melo e Vagner Ramalho.

Na terceira ocorrência, em agosto, a suposta propina teria sido de R$ 700 mil. Parte do dinheiro teria passado por transferências bancárias, inclusive para a empresa Riviera Soluções Tec Ltda., apontada como possível empresa de fachada. Quase R$ 500 mil teriam sido pagos em espécie. A carga teria sido posteriormente escoltada por policiais até São Paulo.

Em dezembro, horas antes de sua prisão, Thiago teria negociado mais R$ 550 mil para liberar outra carga. Apenas dez aparelhos teriam sido formalmente apreendidos.

Os policiais teriam garantido, após o pagamento da suposta propina, que a carga chegasse a São Paulo escoltada

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Patrimônio e investigação

O MP também aponta possível incompatibilidade patrimonial de alguns investigados com os salários recebidos, citando imóveis, veículos, empresas e movimentações financeiras.

Uma denúncia anônima levou a Corregedoria a investigar o 1º DP de Barueri. No local, foram encontrados 49 celulares lacrados, R$ 19.577 e outros aparelhos, além de cerca de R$ 4 mil em dinheiro em uma sala usada por Vagner Ramalho.

Justiça e Operação Merx

A Justiça recebeu a denúncia e autorizou buscas, bloqueio de bens, quebra de sigilos e prisões preventivas. Também foram determinadas medidas contra Vagner de Lima, incluindo afastamento da função.

Na Operação Merx, realizada pelo Gaeco e pela Corregedoria, foram cumpridos mandados em São Paulo, Paraná e Goiás. Até a publicação da reportagem, cinco pessoas haviam sido presas, entre elas três policiais, um advogado e um empresário. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens de até R$ 4 milhões.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.

A operação teve como objetivo cumprir sete mandados de prisão preventiva.
Arquivos: Investigação Criminal
Fonte: IG Notícias
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