Partido de ultradireita alcança 44,5% na boca de urna da Saxônia-Anhalt e pode conquistar a maior votação de uma legenda de extrema direita em um estado alemão desde 1945
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) deve alcançar uma votação histórica nas eleições deste domingo (6) na Saxônia-Anhalt, no leste alemão. Segundo a pesquisa de boca de urna divulgada após o fechamento das urnas, a legenda obteve 44,5% dos votos, mais que o dobro do resultado registrado em 2021, quando chegou a 20,8%.
- Partido de ultradireita alcança 44,5% na boca de urna da Saxônia-Anhalt e pode conquistar a maior votação de uma legenda de extrema direita em um estado alemão desde 1945
- AfD pode ter maior bancada, mas não maioria
- Resultado pode pressionar governo de Friedrich Merz
- Estado enfrenta desafios econômicos
- Próximas eleições serão no dia 20
Se confirmado na apuração, o resultado será a maior votação proporcional obtida por uma legenda de ultradireita em um estado alemão desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A AfD aparece muito à frente da União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler federal Friedrich Merz, que teria ficado com 18,5% dos votos — quase 19 pontos a menos que na eleição anterior.
AfD pode ter maior bancada, mas não maioria
Apesar do resultado expressivo, a AfD ainda não teria votos suficientes para governar sozinha. A projeção indica que o partido conquistaria 39 das 83 cadeiras do Parlamento estadual. A maioria absoluta exige 42 assentos.
O cenário é especialmente relevante porque os principais partidos alemães mantêm uma política de isolamento em relação à AfD e rejeitam formar coalizões com a legenda.
A pesquisa aponta ainda 9,5% para A Esquerda, 9% para os Verdes e 8% para o Partido Social-Democrata (SPD). O BSW, partido de esquerda populista, aparece com 5%, no limite da cláusula de barreira. O FDP teria 2% e ficaria fora do Parlamento.
Se o BSW não alcançar os 5%, parte das cadeiras será redistribuída e a AfD poderá chegar a 41 assentos — ainda um a menos que a maioria.
Uma possibilidade, porém, seria a formação de um governo minoritário. Durante a campanha, a direção nacional do BSW indicou que não pretende necessariamente impedir uma administração liderada pela AfD, o que poderia facilitar sua chegada ao poder mesmo sem maioria parlamentar.
Resultado pode pressionar governo de Friedrich Merz
Uma eventual chegada da AfD ao governo estadual representaria uma mudança histórica. A CDU governa a Saxônia-Anhalt desde 2002, com exceção de um período entre 1994 e 2002, quando o SPD esteve à frente do Executivo.
O resultado também aumenta a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz. A CDU enfrenta perda de apoio em diferentes eleições estaduais, enquanto a AfD vem ampliando sua presença eleitoral.

Na Saxônia-Anhalt, o diretório estadual da AfD é classificado pelas autoridades de proteção constitucional como organização extremista de direita confirmada. A legenda também é conhecida por posições anti-imigração e propostas que provocam forte reação de adversários políticos e organizações civis.
Estado enfrenta desafios econômicos
A Saxônia-Anhalt integra o território da antiga Alemanha Oriental e está entre os estados economicamente mais frágeis do país. O estado registra a menor renda per capita da Alemanha e enfrenta problemas relacionados ao desemprego e ao envelhecimento populacional.
Desde a reunificação, a região perdeu postos de trabalho na indústria e na mineração e sofreu forte êxodo de jovens para o oeste. A população caiu de cerca de 2,9 milhões em 1990 para 2,1 milhões em 2025.
A AfD cresceu nesse ambiente ao explorar temas como imigração, segurança, custo de vida e críticas às políticas tradicionais.
Próximas eleições serão no dia 20
O avanço da AfD será novamente testado em 20 de setembro, quando haverá eleições em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, pesquisas indicam a AfD entre 35% e 37%, com possibilidade de formar a maior bancada. Apesar disso, os social-democratas, que governam o estado desde 1998, ainda aparecem com condições de permanecer no poder, possivelmente à frente de um governo minoritário.
Em Berlim, a AfD também pode ampliar sua votação, de 9% em 2023 para cerca de 18%. Na capital, entretanto, a disputa principal envolve CDU e A Esquerda, com temas como custo de vida e crise habitacional no centro da campanha.
Fonte: IG Notícias



