Extravirgem, data de produção, embalagem e procedência são alguns dos pontos que ajudam a identificar um azeite de melhor qualidade
Escolher um azeite no supermercado exige mais atenção do que simplesmente comparar preços ou procurar o menor índice de acidez. Entre produtos nacionais e importados, extravirgens, virgens e óleos compostos, o consumidor precisa observar informações como tipo, procedência, data de produção, embalagem e conservação.
- Extravirgem, data de produção, embalagem e procedência são alguns dos pontos que ajudam a identificar um azeite de melhor qualidade
- Azeite não melhora com o tempo
- Garrafa escura ajuda a preservar
- Acidez não é ranking de qualidade
- Brasileiro ou importado?
- Preço muito baixo exige atenção
- Produção brasileira bate recorde
- O que conferir antes de comprar
Se a intenção é comprar um produto de maior qualidade, o primeiro passo é procurar no rótulo a expressão “azeite de oliva extravirgem”. Esse tipo é obtido diretamente das azeitonas por processos mecânicos e precisa atender a critérios químicos e sensoriais específicos.
Também é importante não confundir azeite com óleo composto, que combina azeite de oliva com outros óleos vegetais. A composição deve estar indicada na embalagem.
Azeite não melhora com o tempo
Diferentemente do vinho, o azeite não fica melhor depois de anos armazenado. Com o passar do tempo, perde gradualmente aromas e sabores, processo acelerado pela exposição ao calor, à luz e ao oxigênio.
Por isso, entre produtos semelhantes, vale dar preferência ao mais recente quando houver informação sobre safra ou data de produção. A validade também deve ser conferida, mas ela não garante que um azeite mais antigo tenha o mesmo frescor de outro recém-produzido.
Garrafa escura ajuda a preservar
A luz acelera a degradação do azeite. Por isso, garrafas escuras e latas são opções mais adequadas para proteger o conteúdo.
O cuidado deve continuar em casa: mantenha a embalagem fechada, longe do sol e de fontes de calor, como o fogão. No supermercado, também é melhor evitar produtos expostos por longos períodos à luz intensa.
Acidez não é ranking de qualidade
Índices como 0,2%, 0,3% e 0,5% podem chamar a atenção, mas menor acidez não significa automaticamente um azeite melhor ou mais saboroso.
A acidez é um dos parâmetros utilizados na classificação do produto. No caso do extravirgem, características sensoriais e outros critérios químicos também são considerados.
Brasileiro ou importado?
A origem, sozinha, não determina a qualidade. Espanha, Portugal, Itália e Grécia têm tradição na produção, mas um azeite importado não é necessariamente superior a um brasileiro.
O produto nacional pode ter uma vantagem relacionada ao frescor, já que percorre distâncias menores entre o produtor e o consumidor. Ainda assim, origem, data de produção e condições de armazenamento devem ser avaliadas em conjunto.
Preço muito baixo exige atenção
Uma promoção não significa necessariamente problema. Pode haver liquidação de estoque, compra em grande volume ou diferenças comerciais.
Mesmo assim, preços muito abaixo dos praticados por produtos semelhantes merecem uma conferida no rótulo. O consumidor deve verificar fabricante ou importador, origem, lote e denominação do produto. O Ministério da Agricultura também divulga alertas sobre produtos considerados impróprios.

Produção brasileira bate recorde
O mercado nacional ganhou força em 2026. O Brasil produziu 1,434 milhão de litros de azeite extravirgem, maior volume já registrado. O resultado representa crescimento de 496,75% em relação a 2025.
O Rio Grande do Sul respondeu por aproximadamente 1,17 milhão de litros, cerca de 81% da produção nacional. A atividade também avança na Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de estados como Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.
A cadeia reúne mais de 620 produtores, 77 lagares e cerca de 10,3 mil hectares de oliveiras, distribuídos por aproximadamente 280 municípios de oito estados.
O que conferir antes de comprar
Para fazer uma escolha melhor, o consumidor pode seguir uma lista simples:
- Procure a indicação “azeite de oliva extravirgem”.
- Dê preferência a produtos mais frescos entre opções semelhantes.
- Escolha, quando possível, garrafa escura ou lata.
- Confira a procedência, o fabricante ou importador e o lote.
- Não use apenas a acidez como critério de qualidade.
- Desconfie de preços muito abaixo do padrão.
- Consulte alertas oficiais quando houver dúvida sobre uma marca.
Por fim, amargor e uma leve ardência podem fazer parte das características de um bom extravirgem. Aromas que lembram folhas, ervas, frutas ou tomate também podem variar de acordo com a variedade da azeitona e o processo de produção.
Na prática, não é preciso ser especialista para escolher bem. Ler o rótulo, conferir a procedência, observar a data e verificar como o produto foi armazenado já aumenta bastante a chance de levar uma boa garrafa para casa.
Herbert Sales, produtor do azeite Mantikir,
durante a colheita da safra 2026.
Foto: Régis Silva/Divulgação
Fonte: IG Notícias





