Chanceler Bruno Rodríguez afirma que embargo causou prejuízo de US$ 8,1 bilhões em 2025; crise de combustíveis agrava apagões e problemas de saúde na ilha
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta segunda-feira (7) que não existem negociações em andamento com os Estados Unidos, nem previsão de novos encontros entre os dois governos. Em coletiva de imprensa em Havana, o chanceler também classificou o embargo americano como um bloqueio “genocida”.
Segundo Rodríguez, Cuba mantém disposição para dialogar, apesar da ausência de avanços. “Não há negociações nem agendas”, afirmou o ministro, segundo a Reuters.
De acordo com o governo cubano, os prejuízos provocados pelo embargo comercial americano aumentaram 7% em 2025, chegando a US$ 8,1 bilhões.
Bloqueio de combustíveis agrava apagões
Rodríguez afirmou que os impactos econômicos devem aumentar nos primeiros meses de 2026 após medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra o fornecimento de combustíveis para a ilha.
A restrição teria reduzido drasticamente a capacidade de geração de energia e contribuído para apagões que chegam a durar vários dias em diferentes regiões.
O chanceler afirmou que a população é diretamente afetada pela crise, com períodos de apenas algumas horas de eletricidade por dia. A falta de refrigeração também prejudica a conservação dos alimentos, enquanto as altas temperaturas dificultam o sono e as atividades cotidianas.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters sobre as declarações do governo cubano.
Washington afirma que o governo cubano representa uma preocupação de segurança nacional e defende a manutenção de sanções como forma de pressionar o regime comunista a promover mudanças políticas e ampliar os direitos econômicos e humanos da população.

A política de pressão americana contra Cuba remonta à Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro.
ONU alerta para crise sanitária
A Organização das Nações Unidas (ONU) já classificou as sanções e as medidas relacionadas ao cerco energético como contrárias ao direito internacional. Em agosto, especialistas da organização alertaram para o risco de aumento de doenças na ilha diante do agravamento das condições de abastecimento.
Na sexta-feira (4), a Embaixada dos Estados Unidos em Havana publicou um alerta de saúde sobre o aumento de doenças intestinais e casos de diarreia associados a problemas no fornecimento de água e energia elétrica.
Moradores de diferentes regiões relatam há meses sintomas como diarreia, febre e dores no corpo.
A situação se torna ainda mais difícil durante o verão caribenho. Com os apagões, muitas famílias ficam sem ventiladores ou ar-condicionado e enfrentam dificuldades para manter alimentos refrigerados, aumentando os riscos à saúde e à segurança alimentar.
Fonte: G1



