Estudo com mais de 1.200 adultos indica que a sensação de ter liberdade para tomar decisões pode influenciar a satisfação com a vida.
O que significa ter uma vida boa? Para a ciência, a resposta costuma envolver emoções positivas, ausência de sofrimento, propósito e relações significativas. Um novo estudo acrescenta outro elemento importante a essa equação: a autonomia.
Publicado no The Journal of Positive Psychology, o trabalho analisou mais de 1.200 adultos para investigar os fatores considerados pelas pessoas ao avaliar a própria vida. Os pesquisadores Jason Payne, da Universidade Simon Fraser, no Canadá, e Ulrich Schimmack concluíram que a sensação de poder escolher os próprios caminhos está associada à satisfação com a vida de maneira independente das emoções experimentadas no cotidiano.
Conexão social e sensação de competência também apareceram relacionadas ao bem-estar. No entanto, parte dessa influência parece ocorrer porque esses fatores contribuem para que as pessoas tenham experiências emocionais mais positivas.
A autonomia apresentou um resultado diferente. Mesmo quando os pesquisadores consideraram o quanto os participantes se sentiam bem ou mal, aqueles que se percebiam mais autônomos tendiam a demonstrar maior satisfação com a própria vida.
Escolher também pode dar sentido às dificuldades
Para Payne, a descoberta ajuda a explicar por que determinados períodos difíceis ainda podem ser considerados importantes ou positivos pelas pessoas.
Um exemplo são os pais de primeira viagem. A rotina pode envolver privação de sono, cansaço e estresse, mas muitos avaliam essa fase de maneira positiva porque ela está relacionada a uma escolha pessoal e a um caminho que reconhecem como próprio.
Os autores ressaltam que isso não reduz a importância das emoções positivas. Sentir-se bem continua sendo um componente fundamental do bem-estar. A novidade é que prazer, propósito e relacionamentos podem não explicar sozinhos como avaliamos a qualidade de nossas vidas.

Estudo pode ter impacto em políticas públicas
Os resultados também levantam questões para governos e instituições. Segundo Payne, políticas públicas não deveriam considerar apenas os benefícios de determinada medida, mas também seus efeitos sobre a liberdade de escolha das pessoas.
A discussão pode ser aplicada a situações como as medidas adotadas durante a pandemia de covid-19. Restrições consideradas necessárias para proteger a saúde coletiva também poderiam provocar, em parte da população, a sensação de perda de autonomia.
A pesquisa, porém, tem limitações. Os participantes eram de países ocidentais e de língua inglesa. Ainda não está claro se os resultados seriam os mesmos em sociedades nas quais valores coletivos têm maior peso.
A conclusão, portanto, não é que autonomia seja a única chave para a felicidade. O estudo sugere algo mais amplo: uma vida satisfatória pode depender não apenas do que sentimos ou do propósito que encontramos, mas também da percepção de que temos participação nas escolhas que definem nossa trajetória.
Fonte: IG Notícias



