Militantes e dirigentes locais reclamam da falta de recursos, diálogo e apoio de lideranças durante a campanha eleitoral.
Em meio à movimentação das campanhas para os cargos dos legislativos estadual e federal, uma queixa começa a ganhar força entre integrantes do Republicanos no Litoral Norte de São Paulo: “Me deixaram na mão.”
Militantes, dirigentes locais e integrantes de diretórios regionais relatam insatisfação com a falta de apoio e de recursos por parte de algumas lideranças. Entre as principais reclamações estão a distribuição dos fundos partidários e a dificuldade de acesso aos candidatos.
Segundo integrantes das bases, enquanto alguns candidatos receberiam maior estrutura financeira, outros enfrentariam dificuldades para manter as campanhas. A avaliação é de que a falta de recursos pode comprometer a participação de grupos que ajudaram a construir o partido na região.
Outra crítica envolve a atuação de assessorias parlamentares. Militantes afirmam que candidatos considerados “veteranos” estariam excessivamente protegidos por suas equipes, dificultando o contato direto com as bases partidárias.
Um dos nomes citados nas reclamações é o deputado Paulo Correia Junior, natural de Santos e com atuação política no Litoral Norte. Militantes de São Sebastião, Caraguatatuba, Ubatuba, Ilhabela e Bertioga também reclamam, segundo os relatos, da falta de diálogo com representantes dos movimentos setoriais do Republicanos.
“Ficamos a ver navios”, afirmou um diretor partidário da região.
O presidente do Republicanos de Ilhabela também não manifestou interesse em chamar as bases e militantes do Republicanos para compor as campanhas dos candidatos pelo partido, nem secretários dos diretórios municipais e seus grupos foram chamados para discutir estratégias de campanha.

Para esses integrantes, a consequência pode aparecer depois das eleições. Parte da militância que ajudou a estruturar o partido na região estaria avaliando migrar para outras legendas.
O episódio expõe uma questão recorrente na política: até que ponto uma campanha consegue avançar sem ouvir e mobilizar suas próprias bases?
Política é construção coletiva. Quando grupos que ajudaram a consolidar uma legenda se sentem isolados, o desgaste pode ultrapassar o período eleitoral.
A pergunta que fica para o Republicanos no Litoral Norte é direta: por que as bases estão se sentindo abandonadas?



