Encontro entre líderes em Nova Délhi sinaliza tentativa de reduzir tensões, enquanto declaração do bloco pede máxima moderação no conflito.
O Irã e os Emirados Árabes Unidos sinalizaram neste domingo (13/09) uma tentativa de superar as divergências provocadas pela guerra no Oriente Médio. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que os dois países concordaram em “virar a página” após uma reunião com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, à margem da cúpula do Brics, em Nova Délhi.
Segundo Pezeshkian, o encontro foi construtivo e abriu espaço para uma nova etapa nas relações bilaterais. O governo de Abu Dhabi informou que os líderes discutiram questões regionais e internacionais, redução das tensões, estabilidade e esforços para promover a paz e o desenvolvimento, sem anunciar acordos concretos.
Aproximação ocorre em meio ao conflito
A relação entre Teerã e Abu Dhabi se deteriorou com a escalada do conflito no Oriente Médio. O encontro em Nova Délhi foi tratado como um importante gesto diplomático justamente porque os dois países passaram a ocupar posições diferentes diante da guerra.
O presidente iraniano também afirmou que o conflito e as sanções vêm agravando as dificuldades econômicas do país, com impactos sobre o acesso da população a alimentos e medicamentos.
Irã e Emirados apoiam declaração do Brics
A aproximação bilateral ocorreu no mesmo momento em que Irã e Emirados Árabes Unidos aderiram à declaração conjunta do Brics, aprovada no sábado (12).
O documento expressa “profunda preocupação” com a escalada da violência no Oriente Médio e pede “máxima moderação”, além de defender a solução de disputas internacionais por meio do diálogo, da consulta e da diplomacia. O texto evita citar nominalmente os países envolvidos no conflito.
A aprovação do documento representou um avanço diplomático para o bloco, que enfrentava dificuldades para construir uma posição comum diante das divergências entre seus integrantes.
Cúpula reúne principais líderes do Brics
A reunião de Nova Délhi conta com a presença do presidente chinês, Xi Jinping, do presidente russo, Vladimir Putin, e do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
O Brics ampliado reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. A cúpula também ocorre em um momento de tentativa de ampliar a influência política e econômica do grupo no cenário internacional.

O Brasil participa do encontro representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
China e Índia tentam reduzir diferenças
Além das tensões no Oriente Médio, o Brics enfrenta divergências entre seus próprios integrantes. A cúpula marcou a primeira visita de Xi Jinping à Índia em sete anos e incluiu uma reunião com Modi, em meio ao processo de reaproximação entre os dois países.
As relações sino-indianas foram abaladas pelo confronto de 2020 na região do Himalaia. Apesar de defenderem maior protagonismo do chamado Sul Global e uma ordem internacional mais multipolar, China e Índia mantêm diferenças importantes sobre comércio, segurança e influência regional.
Xi também aproveitou a cúpula para defender uma integração maior do Brics, com cooperação em áreas como inteligência artificial, comércio, indústria, finanças e cadeias de abastecimento.
Bloco busca demonstrar unidade
A cúpula de Nova Délhi se tornou um teste para a capacidade do Brics de conciliar interesses geopolíticos distintos. A presença simultânea de países com posições diferentes sobre a guerra no Oriente Médio tornou a negociação da declaração conjunta mais complexa.
Mesmo diante dessas divergências, os líderes conseguiram aprovar um documento comum e abrir espaço para uma aproximação entre Irã e Emirados Árabes Unidos, em um dos principais movimentos diplomáticos do encontro.
Fonte: IG Notícias


