Quando uma alergia pode ser fatal? Anafilaxia pode levar à morte em minutos

Alergia não é brincadeira: reconhecer os sinais pode salvar uma vida.

7 Tempo de Leitura
Highlights
  • anafilaxia , alergia , adrenalina , falta de ar , reação alérgica , crustáceos , prevenção

Mortes por reações alérgicas chegaram a 499 desde 2022 no Brasil; especialistas alertam para os riscos da anafilaxia e reforçam a importância do diagnóstico e da prevenção

Uma viagem que deveria ser marcada por descanso e felicidade terminou em tragédia para Lucas Cerqueira, de 27 anos, e seu marido, Erivelton Gomes, de 34. O casal, que morava em Várzea Grande (MT), viajou para Alagoas em maio deste ano.

No quinto dia da viagem, Gomes decidiu experimentar siri e caranguejo. Ele já sabia que era alérgico a camarão e tinha histórico de reação ao alimento, mas resolveu provar os crustáceos.

Pouco depois de comer, começou a sentir coceira no ouvido. Em seguida, apresentou dificuldade para respirar e ficou roxo. O quadro evoluiu rapidamente. Segundo Cerqueira, foram cerca de dez minutos entre o consumo dos alimentos e o início dos sintomas mais graves. Gomes morreu menos de uma hora depois.

O caso ilustra uma das manifestações mais graves de uma reação alérgica: a anafilaxia, uma emergência médica que pode provocar obstrução das vias respiratórias, queda acentuada da pressão arterial e choque.

Mortes e atendimentos aumentam

Segundo o Ministério da Saúde, 40 pessoas morreram por reações alérgicas entre janeiro e junho de 2026. Desde 2022, foram registrados 499 óbitos relacionados à causa no país.

Também aumentaram os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados a alergias. Foram 30,9 milhões em 2022 e 44,5 milhões no ano passado. Apenas nos seis primeiros meses de 2026, já foram contabilizados 24 milhões de atendimentos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 30% da população mundial tenha algum tipo de alergia. A previsão é de que esse percentual possa chegar a 50% até 2050.

Para a alergista e imunologista Marina Takao, do Hospital das Clínicas da Unicamp, fatores como mudanças no estilo de vida, estresse e poluição podem contribuir para o aumento dos casos.

O que é uma alergia?

A alergia ocorre quando o sistema imunológico reage de maneira exagerada a uma substância que, para a maioria das pessoas, é inofensiva. Entre os possíveis desencadeadores estão alimentos, medicamentos, ácaros, pelos de animais e venenos de insetos.

A predisposição genética pode favorecer o surgimento do problema, mas uma alergia também pode aparecer pela primeira vez na vida adulta.

O diagnóstico geralmente começa a partir de um episódio que levanta suspeita. Dependendo do caso, o médico pode solicitar exames de sangue, testes cutâneos ou o teste de provocação oral, realizado sob supervisão médica e em ambiente preparado para uma eventual reação.

Entre os quadros alérgicos mais frequentes estão rinite, asma, dermatite atópica e urticária.

Alimentos estão entre os principais desencadeadores

As alergias alimentares também merecem atenção. Leite de vaca, ovos, amendoim, castanhas e nozes, trigo, soja, peixes, crustáceos e gergelim estão entre os alimentos responsáveis pela maior parte das reações.

Também podem ocorrer reações graves provocadas por medicamentos e picadas de insetos.

Anafilaxia: quando a reação se torna uma emergência

A maioria das reações alérgicas é leve ou moderada. Porém, algumas evoluem rapidamente para anafilaxia.

Nessa situação, o organismo libera de forma descontrolada substâncias inflamatórias. O resultado pode ser o estreitamento das vias aéreas, inchaço da laringe, dificuldade para respirar, queda brusca da pressão e choque.

Sem tratamento imediato, a anafilaxia pode provocar a morte em poucos minutos.

AgênciaModerna

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • dificuldade ou falta de ar;
  • inchaço da garganta ou da língua;
  • sensação de desmaio;
  • queda da pressão;
  • urticária e coceira generalizada;
  • alterações rápidas após contato com um possível alérgeno.

A adrenalina é considerada o principal medicamento para o tratamento imediato da anafilaxia. Em alguns países, ela é disponibilizada em dispositivos autoinjetáveis, que permitem a aplicação rápida na coxa.

No Brasil, segundo o texto, esses dispositivos precisam ser importados e podem custar cerca de R$ 2 mil por duas canetas. No SUS, a adrenalina está disponível para situações de emergência em solução injetável, administrada por profissionais de saúde.

Como reduzir o risco de uma reação grave?

Para quem tem alergia alimentar, a principal recomendação é evitar completamente o alimento responsável pela reação.

Especialistas também recomendam:

Leia os rótulos: mesmo produtos conhecidos podem ter sua composição alterada.

Avise restaurantes e estabelecimentos: informe claramente qual é a alergia e pergunte sobre os ingredientes e o modo de preparo.

Cuidado com a contaminação cruzada: utensílios, superfícies, óleo de fritura e equipamentos compartilhados podem levar pequenas quantidades do alérgeno para outro alimento.

Não arrisque quando houver dúvida: se não for possível confirmar que determinado alimento é seguro, a orientação é não consumi-lo.

No caso de Erivelton Gomes, a dúvida sobre uma possível reação já existia por causa da alergia ao camarão. A experiência, porém, mostrou que uma reação a outro crustáceo poderia ter consequências devastadoras.

“Ele tinha essa dúvida se podia comer, mas arriscou. Eu nunca tinha ouvido falar de casos assim. Não era o que a gente esperava”, contou Cerqueira.

O que fazer diante de uma suspeita de anafilaxia?

A anafilaxia é uma emergência médica. Diante de sinais compatíveis, especialmente dificuldade para respirar, inchaço da garganta, desmaio ou queda de pressão após contato com um possível alérgeno, é necessário buscar atendimento de emergência imediatamente.

Quem já possui diagnóstico de alergia grave deve seguir o plano de emergência definido pelo médico e manter a medicação de resgate indicada sempre disponível.

Fonte: IG Notícia

Gráfica e Editora Copbem, sempre causando uma boa impressão
Compartilhe está notícia