Relatório do Climate Impact Lab estima mais de 451 mil mortes relacionadas ao calor no mundo; Brasil aparece como o país mais afetado da América do Sul
O calor extremo associado ao atual episódio de El Niño, classificado pelos pesquisadores como “Super El Niño”, pode provocar cerca de 13,3 mil mortes adicionais no Brasil em comparação com um ano considerado normal. A estimativa faz parte de um relatório do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23).
O número não representa mortes já registradas. Trata-se de uma projeção de mortalidade adicional relacionada ao calor, calculada a partir da diferença entre o cenário previsto para o período e o que seria esperado em condições climáticas normais. Em escala global, o estudo estima aproximadamente 451 mil mortes adicionais provocadas pelo calor durante os próximos meses.
Na América do Sul, o Brasil aparece com a maior estimativa, seguido por outros países da região. No continente americano, os Estados Unidos têm projeção de cerca de 3,5 mil mortes adicionais, enquanto Venezuela e Colômbia aparecem com aproximadamente 2,3 mil e 2,2 mil, respectivamente.
África e Ásia concentram maiores projeções
Os maiores números estão concentrados principalmente no Sul Global. Na região do Sahel, na África, o relatório estima 66,8 mil mortes adicionais. Quase metade desse total estaria concentrada na Nigéria, com 31,4 mil casos projetados. Sudão, Níger e Chade aparecem na sequência, com estimativas de 17,5 mil, 10 mil e 8 mil mortes, respectivamente.
No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam uma projeção de 19,4 mil mortes adicionais, enquanto a Indonésia aparece com outras 19,3 mil. Na Índia, o estudo estima 15,8 mil mortes relacionadas ao calor acima do esperado em um ano normal.
Um retrato do clima do futuro
De acordo com os pesquisadores, as condições previstas para o atual El Niño podem representar uma espécie de “cartão-postal do futuro”, porque as temperaturas esperadas nos próximos meses se aproximam daquelas que modelos climáticos projetam para cerca de duas décadas à frente.
O estudo estima que as temperaturas médias sobre as áreas terrestres possam ficar cerca de 1,2°C acima do normal, com aproximadamente 44% mais dias de calor extremo do que seria esperado em um período regular.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que as projeções podem mudar conforme o fenômeno evolua. O Climate Impact Lab afirma que atualizará as estimativas à medida que novas informações sobre o El Niño forem disponibilizadas.

Medidas de prevenção
Para reduzir os impactos sobre a população, o relatório aponta medidas como sistemas de alerta para ondas de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação, proteção para trabalhadores expostos ao sol e ao calor e reforço da capacidade dos sistemas de saúde.
Os pesquisadores defendem que essas ações sejam planejadas antes dos períodos de maior exposição. Segundo o relatório, a preparação antecipada pode ajudar a reduzir os impactos da elevação das temperaturas e salvar vidas.
O cálculo foi elaborado a partir de estudos que relacionam temperatura e mortalidade em 24.378 regiões, considerando características climáticas locais, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação. Essas relações foram combinadas com previsões de temperatura para estimar o excesso de mortalidade associado ao El Niño.
Fonte: ABN




