
Fenômeno pode provocar secas, chuvas intensas, calor extremo e prejuízos à agricultura; efeitos tendem a ser diferentes entre as regiões e mais severos para populações vulneráveis.
As novas projeções sobre o El Niño indicam que o fenômeno climático poderá provocar impactos significativos no Brasil nos próximos meses. Entre os efeitos previstos estão secas, aumento das temperaturas, chuvas intensas, enchentes, queimadas e possíveis reflexos nos preços dos alimentos.
Um relatório liderado pela Universidade de Chicago aponta o Brasil entre os países que podem ser mais afetados pelo chamado Super El Niño. A projeção estima até 13,3 mil mortes adicionais no país e aumento de dias de calor extremo em escala global.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo a meteorologista Aline Araújo, do Climatempo, o evento atual é classificado como “super” ou “muito forte” pela intensidade prevista.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) projeta aquecimento de até 2°C no Pacífico Equatorial. O boletim divulgado em 30 de setembro aponta 95% de probabilidade de permanência dos efeitos do fenômeno até o início de 2027.
Impactos diferentes pelo país
As regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste podem enfrentar períodos mais secos, temperaturas elevadas e maior risco de queimadas. Dados do Cemaden apontam aumento de municípios em situação de seca extrema e severa.
No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, a previsão é de maior frequência de chuvas intensas, com possibilidade de enxurradas, alagamentos e granizo.
Os efeitos, porém, não dependem apenas da intensidade do fenômeno. Segundo a jornalista e pesquisadora Mariana Belmont, desigualdades sociais e territoriais fazem com que determinados grupos estejam mais expostos aos impactos de eventos extremos.
Chuvas e vulnerabilidade
O caso de Juiz de Fora (MG) ilustra essa desigualdade. Em fevereiro de 2026, a cidade registrou 752,4 milímetros de chuva, mais de quatro vezes a média histórica do mês. Cerca de 9 mil pessoas ficaram desabrigadas, segundo dados da Defesa Civil.
Entre os atingidos estava Kellerman Jesus Sodré, morador do bairro Industrial. A água invadiu sua residência, danificou móveis e atingiu parte dos brinquedos que ele comercializa.
Além das perdas materiais, Kellerman perdeu três pessoas próximas durante o desastre.

Para Mariana Belmont, eventos climáticos extremos encontram cidades que já apresentam desigualdades relacionadas à moradia, saneamento, drenagem, transporte, renda e acesso a serviços públicos.
Reflexos na agricultura e nos preços
Os efeitos do El Niño também podem chegar ao consumidor. Segundo Aline Araújo, o excesso de chuva no Sul pode provocar perdas agrícolas e atrasos no plantio, enquanto a estiagem em outras áreas prejudica o desenvolvimento das lavouras.
Produtos como soja e trigo podem sofrer pressão sobre os preços nos próximos meses, dependendo da evolução das condições climáticas e da produção.
Especialistas destacam que o monitoramento antecipado pode ajudar municípios e comunidades a reduzir prejuízos. Medidas de prevenção, sistemas de alerta, planejamento urbano, saneamento, habitação, segurança hídrica e infraestrutura estão entre as ações apontadas para aumentar a capacidade de adaptação das cidades.
Fonte: IG Notícias




