Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil em 2025, mas ainda atinge 1,5 milhão de crianças e adolescentes

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  • Trabalho infantil , IBGE , Pnad , 1,5 milhão , Crianças e adolescentes , Bolsa Família , Piores formas , Educação , Informalidade , Proteção social
Dra Marcela Paiva

Levantamento do IBGE aponta redução em relação a 2024, mas revela que 525 mil jovens estavam expostos às piores formas de trabalho infantil.

O Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população nessa faixa etária. O número representa uma queda de 9,2% em relação a 2024, quando havia 1,65 milhão de pessoas nessa condição, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com 2016, quando o país contabilizava 2,1 milhões de crianças e adolescentes nessa situação, a redução chegou a 28,6%.

Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, a melhora pode estar relacionada a diferentes fatores, como políticas públicas de proteção social, o Bolsa Família, o aumento da renda domiciliar e o aquecimento do mercado de trabalho.

Em 2025, a renda média por pessoa nos domicílios beneficiários do Bolsa Família era de R$ 660, ante R$ 1.990 nos domicílios que não recebiam o auxílio. Entre os beneficiários, o contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil caiu 41% desde 2016.

Piores formas de trabalho infantil

Do total registrado em 2025, 525 mil crianças e adolescentes estavam envolvidos nas piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades capazes de prejudicar a saúde, a segurança ou o desenvolvimento moral, além de situações criminosas, como exploração sexual, escravidão e tráfico de drogas.

Apesar da gravidade, o número representa o menor patamar da série apresentada pelo levantamento: eram 560 mil casos em 2024, 763 mil em 2022 e 919 mil em 2016.

Adolescentes concentram maior proporção

A incidência aumenta conforme a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, 280 mil estavam em situação de trabalho infantil, o equivalente a 1,1% dessa população. Na faixa de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. Já entre adolescentes de 16 e 17 anos, o número chegou a 871 mil, correspondendo a 14,5%.

A pesquisa também identificou jornadas extensas: 36,3% das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil trabalhavam 25 horas ou mais por semana. Em 21,4% dos casos, a jornada chegava a pelo menos 40 horas semanais.

Diferenças regionais e sociais

O Sudeste registrou o maior contingente, com 481 mil crianças e adolescentes nessa condição, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Proporcionalmente, porém, o Norte apresentou a maior taxa, de 6,3%, enquanto o Sudeste teve a menor, de 3,3%.

Meninos representavam 65,4% do total. Na divisão por cor ou raça, pretos e pardos correspondiam a 67% das crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil.

Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, 67% estavam na informalidade. A pesquisa também identificou diferenças na frequência escolar: entre os jovens dessa idade, 79,6% dos que estavam em situação de trabalho infantil frequentavam a escola, contra 89,6% da população total da mesma faixa etária.

AgênciaModerna

O levantamento ainda mostrou que 15,9 milhões de pessoas de 5 a 17 anos realizavam tarefas domésticas não remuneradas ou cuidavam de outras pessoas. Essas atividades, quando realizadas no ambiente familiar, não são classificadas pelo IBGE como trabalho infantil, mas recaem mais frequentemente sobre as meninas.

 

 

Pnad aponta que 4% da população brasileira na faixa etária de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2025 –  Foto: Reprodução

No Brasil, 65,4% das crianças e adolescentes sujeitos a trabalho infantil são homens, segundo o IBGE – Foto: CN

Fonte: ABN

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