
Solicitação encaminhada à Justiça Eleitoral prevê dados dos últimos oito anos do presidente, de familiares e de empresa ligada a ele, condicionados à reciprocidade do adversário.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protocolou nesta terça-feira (20) um pedido à Justiça Eleitoral para autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos. A iniciativa também abrange familiares e uma empresa da qual ele é sócio, mas está condicionada à adoção da mesma medida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no segundo turno, marcado para domingo (25).
O pedido foi apresentado após um desafio lançado por Lula durante debate presidencial na TV Band, no domingo (18). O presidente defende que os dados sejam disponibilizados publicamente antes da votação.
Flávio afirmou que não tem nada a esconder, mas não respondeu diretamente se autorizaria a abertura dos próprios sigilos. Sobre a proposta, disse que a considerou “engraçada”.
Pedido inclui familiares e empresas
A solicitação de Lula abrange a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, e os cinco filhos do presidente. Também inclui a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual ele é sócio.
A campanha petista propõe que as informações sejam disponibilizadas na plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou em outro canal público, caso Flávio concorde com a medida.
A exigência se estende ao ex-presidente Jair Bolsonaro, à mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, à esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e aos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro.
O requerimento também cita empresas ligadas ao senador, entre elas Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros Ltda., Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda. e Bolsonaro Digital Ltda. A lista inclui ainda a offshore Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.
Segundo o documento, a divulgação permitiria aos eleitores consultar informações antes de decidir o voto. A petição menciona princípios constitucionais relacionados à probidade administrativa e à moralidade no exercício de mandato.

Durante um evento de campanha nesta terça-feira, Lula voltou a cobrar que o adversário aceite a proposta. “Quero ver se ele tem coragem de abrir sigilo bancário e telefônico da pessoa física e jurídica”, afirmou.
Pedido foi encaminhado ao TSE
No Tribunal Superior Eleitoral, a solicitação foi registrada como Petição Cível nº 0603195-27.2026.6.00.0000, em 20 de outubro. O processo foi inicialmente distribuído ao ministro André Mendonça, e a petição foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques.
A apresentação do requerimento não significa que os dados já tenham sido divulgados. A abertura voluntária dos sigilos depende da autorização e está condicionada à reciprocidade de Flávio Bolsonaro.
Fonte: IG Notícias



