
Coordenador político afirma que presidente não se opõe às exigências do adversário e anuncia resposta ao TSE nesta quinta-feira (22).
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (21) que não se opõe às condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para autorizar a divulgação de sigilos bancários, fiscais e eletrônicos. Segundo o coordenador político da campanha petista, Camilo Santana, a resposta será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22).
Santana classificou as exigências do adversário como uma manobra e disse que Lula aceita as condições apresentadas, desde que Flávio também cumpra o que foi proposto.
“Todas as condicionantes a única resposta é que o presidente não se opõe em absolutamente nada que ele colocou, contanto que ele [Flávio Bolsonaro] faça”, declarou o senador.
Exigências envolvem familiares, empresas e gastos públicos
Entre as condições apresentadas pela campanha de Flávio estão a divulgação de informações sobre assessores próximos de Lula, empresas ligadas a familiares, registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes de uma reunião entre o presidente e Daniel Vorcaro, do Banco Master, em dezembro de 2024.
A lista também inclui esclarecimentos sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de voos na Força Aérea Brasileira (FAB), a quebra de sigilo de Frei Chico, irmão de Lula, e a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023. A campanha também cobra informações sobre agendas institucionais da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja.
Lula condiciona divulgação à reciprocidade
Em documento apresentado ao TSE, Lula autorizou a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico referentes aos últimos oito anos, além dos dados de familiares, desde que Flávio faça o mesmo.
A proposta do petista inclui a esposa, Janja, e os filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, conhecido como Lulinha, Sandro Luís e Luís Cláudio. Do lado de Flávio, a autorização envolveria o pai, Jair Bolsonaro, a mãe, Rogéria, os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, além da esposa, Fernanda.
A lista apresentada por Lula também inclui empresas ligadas ao senador, entre elas a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, a All In One Corretora de Seguros, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e a Bolsonaro Digital. A proposta menciona ainda a Alcazar Holdings, empresa de Willer Tomaz. Essa companhia não foi incluída na lista apresentada por Flávio.

O senador é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz; o outro investiga negociações relacionadas ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, incluindo recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro. As investigações estão em andamento e não representam comprovação de crime.
Campanha também anuncia ações contra a Meta
A coordenação da campanha de Lula afirmou que continua preocupada com a atuação da Meta durante o período eleitoral, mesmo após uma reunião com representantes da empresa no TSE, na terça-feira (20).
Segundo o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, a equipe jurídica pretende apresentar representações contra a empresa à Justiça Eleitoral ainda nesta quarta-feira (21).
“A Meta é motivo de grande preocupação para a gente e para o mundo democrático. Não vamos aceitar esse tipo de interferência, esse tipo de coisa”, afirmou.
Fonte: G1



