Família Acolhedora transforma vidas de crianças e famílias em São Vicente

Acolher é oferecer amor, proteção e novas possibilidades.

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Highlights
  • São Vicente , Família Acolhedora , acolhimento temporário , proteção infantil , afeto , solidariedade
Dra Marcela Paiva

Programa oferece acolhimento temporário a crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem. Nádia e Cristiane compartilham a experiência de receber duas crianças em casa.

Oferecer carinho, segurança e uma rotina familiar durante um período de incerteza. Essa é a proposta do programa Família Acolhedora, desenvolvido pela Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). A iniciativa proporciona acolhimento temporário a crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por medida de proteção.

Entre as participantes estão Nádia Cristina e Cristiane Aparecida, que decidiram abrir as portas de casa para duas crianças pequenas. A experiência trouxe mudanças à rotina, novos vínculos afetivos e a compreensão de que acolher vai além de atender às necessidades básicas.

A decisão começou durante uma visita à Estratégia Saúde da Família (ESF) Parque Continental, quando Cristiane viu um cartaz de divulgação do programa e se interessou pela proposta.

“Ela conversou comigo para ver se poderíamos participar do projeto, mas primeiro queríamos entender como funcionava. Ela entrou em contato com a Jassi, uma das responsáveis pelo programa, que explicou tudo certinho. Nós gostamos da proposta e quisemos participar”, contou Nádia.

Chegada das crianças trouxe emoção e adaptação

Receber as crianças foi um momento marcante para a família. Nádia relembra que, além da emoção, sentiu a responsabilidade de cuidar de quem já havia passado por uma situação de afastamento familiar.

“Quando o peguei, fiquei pensando: ‘tão pequenininho e já nessa situação de estar no abrigo, depois ficar com a gente e, mais para a frente, ir para outro lugar’. Foi um momento muito emocionante para mim”, relatou.

Os primeiros dias exigiram ajustes, principalmente porque as duas crianças eram muito pequenas. Com o apoio dos demais integrantes da casa e a experiência de Cristiane com a maternidade, a família conseguiu estabelecer uma nova rotina.

“Os quatro primeiros dias foram os mais complexos, mas depois conseguimos colocar tudo em ordem. Agora as coisas fluem normalmente”, explicou Nádia.

Vínculos afetivos são construídos na convivência

Com o passar dos dias, pequenos gestos começaram a demonstrar a construção dos vínculos. Um dos momentos mais especiais, segundo Nádia, acontece quando uma das crianças reconhece a voz de Cristiane, mesmo sem conseguir vê-la.

“Às vezes, ela está na cozinha e ele está na sala. Quando escuta a voz dela, já começa a se mexer, fica todo agitado, porque reconhece a voz dela”, contou.

A convivência também exige compreender que o acolhimento tem caráter temporário. O objetivo do programa é garantir proteção e convivência familiar enquanto é avaliada a possibilidade de retorno à família de origem ou definida outra medida de proteção.

Para Nádia, criar laços é uma consequência natural do cuidado diário.

“Não se apegar é impossível, na verdade. Por mais que saibamos que é temporário, acabamos criando um vínculo”, afirmou.

Ela destaca que as reuniões, palestras e orientações oferecidas pela equipe do programa ajudam as famílias acolhedoras a compreender as etapas do processo e a se preparar emocionalmente para uma futura despedida.

Acolher é oferecer mais do que cuidados básicos

A rotina da família envolve acompanhamento da saúde, alimentação, higiene, brincadeiras e atenção ao desenvolvimento infantil. No entanto, Nádia ressalta que o acolhimento também está presente nas demonstrações de afeto.

AgênciaModerna

“O mais importante é que as crianças tenham segurança, rotina e carinho”, destacou.

Cristiane já tinha experiência com a maternidade, sendo mãe de filhos biológicos e adotivos. A família também possui uma história anterior de acolhimento de uma filha que chegou ainda bebê.

Mesmo assim, cada experiência apresenta particularidades e novos aprendizados.

“Acolher é oferecer aquele chamego, aquele mimo, aquele dengo que todo mundo aqui em casa tem com elas. Os dois são muito fofos”, afirmou Nádia.

Embora saibam que a despedida poderá ser difícil, as duas entendem que a principal missão é proporcionar às crianças um ambiente protegido e afetuoso durante o período de acolhimento.

Para Nádia, a experiência também transforma quem decide participar do programa.

“Porque não damos apenas carinho: também o recebemos de volta”, resumiu.

Como participar do programa Família Acolhedora em São Vicente

O programa Família Acolhedora é promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Social de São Vicente e busca famílias dispostas a receber temporariamente crianças e adolescentes de até 17 anos que necessitam de proteção.

Para participar, é necessário residir no município, ter preferencialmente pelo menos 25 anos, apresentar a documentação exigida, passar por entrevistas e participar das capacitações oferecidas pela equipe responsável.

Entre os documentos solicitados estão:

  • Ficha de manifestação de interesse;
  • Cópia do RG ou CNH de todos os membros da família;
  • Comprovante de endereço;
  • Certidão negativa de antecedentes criminais;
  • Declaração de concordância de todos os adultos que residem na casa.

O serviço é gratuito. O acolhimento é temporário e ocorre enquanto a situação da criança ou adolescente é acompanhada até a definição sobre o retorno à família de origem ou outra medida judicial.

Mais informações e inscrições:

Fonte: Prefeitura de São Vicente

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