
Lóris-lento-de-Bangka sobreviveu na Indonésia e teve sua existência confirmada por estudo científico publicado em outubro de 2026
Um primata conhecido por ser o único grupo de macacos com veneno capaz de tornar sua mordida peçonhenta voltou a chamar a atenção da comunidade científica. O lóris-lento-de-Bangka (Nycticebus bancanus), que ficou cerca de 90 anos sem registros científicos confiáveis, teve sua sobrevivência confirmada em um estudo publicado em outubro de 2026 na revista científica Spixiana.
Intitulado “Neglected but still alive: Further evidence for the continued existence of the Bangka Slow Loris (Nycticebus bancanus) on Bangka Island, Indonesia”, o trabalho reúne evidências de que a espécie continua vivendo na ilha de Bangka, na Indonésia, apesar das dúvidas sobre sua existência na natureza.
Entre 2015 e 2025, o Alobi Wildlife Rescue Center, centro local de resgate de animais silvestres, recebeu 90 indivíduos da espécie. Desse total, 86 foram considerados aptos à soltura e devolvidos ao ambiente natural em sete pontos diferentes da ilha.
Segundo informações divulgadas pela organização ambiental internacional Re, os registros de resgate e soltura contribuíram para demonstrar que o primata sobreviveu mesmo após décadas sem confirmações científicas.
Por que a espécie foi considerada possivelmente extinta?
O lóris-lento-de-Bangka é classificado como criticamente ameaçado na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), com possibilidade de estar extinto.
A espécie foi descrita cientificamente em 1906, mas seu reconhecimento como uma espécie distinta ocorreu apenas em 2013. Desde a década de 1930, a ausência de registros científicos consistentes alimentava dúvidas sobre sua sobrevivência.
Isso não significa, necessariamente, que o animal tenha desaparecido da ilha. Endêmica de Bangka — ou seja, encontrada naturalmente apenas nessa região —, a espécie continuou sendo encontrada por moradores e equipes locais de resgate, mas os registros não estavam organizados de forma suficiente para confirmar cientificamente sua permanência na natureza.
O novo estudo sistematiza essas evidências e reforça a importância do trabalho realizado por equipes locais na identificação e proteção de espécies ameaçadas.
Destruição de florestas ameaça o primata
Apesar da confirmação de que o lóris-lento-de-Bangka continua vivo, sua sobrevivência permanece ameaçada. Entre os principais riscos estão a destruição e a fragmentação do habitat natural.
A mineração ilegal de estanho, a expansão das plantações de óleo de palma, a ocupação humana e a urbanização contribuem para a redução das florestas nativas da ilha.
Embora 86 animais tenham sido devolvidos à natureza durante o período analisado, os dados ainda não permitem estimar o tamanho da população que permanece em vida livre.

Os pesquisadores defendem a adoção de medidas legais de conservação, levantamentos populacionais, estudos genéticos e ações de proteção das áreas de floresta remanescentes. Um programa de reprodução em cativeiro também é apontado como uma possibilidade para contribuir com a preservação da espécie.
O coautor do estudo, Timon Glaw, destacou à Re a necessidade de uma estratégia de conservação de longo prazo, baseada em pesquisas e, principalmente, na proteção do habitat natural.
Lóris-lento é o único primata conhecido com mordida peçonhenta
O lóris-lento pertence a um grupo de primatas noturnos caracterizados pelos olhos grandes e arredondados, adaptados à visão em ambientes com pouca luz. Seus movimentos lentos e silenciosos ajudam o animal a se deslocar pelas árvores sem chamar a atenção.
Sua característica mais incomum é o mecanismo de produção de veneno. Glândulas localizadas na parte interna dos braços produzem uma secreção que o animal lambe e mistura à saliva. Essa combinação torna sua mordida peçonhenta.
Em humanos, a mordida pode causar dor e inchaço, além de reações mais graves em determinados casos. Por isso, apesar da aparência aparentemente dócil, o primata não deve ser manipulado por pessoas sem treinamento especializado.
A confirmação da sobrevivência do lóris-lento-de-Bangka representa um avanço para o conhecimento científico sobre a espécie, mas também evidencia a necessidade de proteger as florestas onde ela vive para evitar que esse primata desapareça definitivamente.
Funte: IG Notícias



