Polícia investiga 17 homicídios após corpos serem encontrados na capital e Grande SP em 48 dias

Casos sob investigação mobilizam a polícia na capital e na Grande São Paulo.

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Highlights
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Dra Marcela Paiva

Vítimas foram localizadas entre setembro e outubro em ruas e áreas de mata; polícia descarta, até o momento, ligação entre os casos e apura possível atuação do chamado “tribunal do crime” em parte das mortes

A Polícia Civil investiga ao menos 17 casos de homicídio após corpos serem encontrados abandonados na cidade de São Paulo e em municípios da Grande São Paulo entre 5 de setembro e 22 de outubro de 2026. As vítimas foram localizadas em diferentes circunstâncias, algumas ensacadas, amarradas, baleadas, esquartejadas ou decapitadas.

Apesar da sequência de ocorrências em um intervalo de 48 dias, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirma que, até o momento, não há elementos que comprovem ligação entre os crimes ou indiquem a atuação de um serial killer.

Dos 17 casos, 14 ocorreram na capital paulista e são investigados pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Os outros três foram registrados em Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo, onde as investigações estão sob responsabilidade das delegacias locais.

Uma das hipóteses consideradas pelos investigadores é que parte dos assassinatos tenha relação com o chamado “tribunal do crime”, prática atribuída a facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), para julgar e executar pessoas acusadas de desrespeitar regras impostas pelo grupo. A possibilidade, porém, não abrange todas as ocorrências, que são apuradas individualmente.

Desembargadora aponta possível desafio às forças de segurança

A desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), avalia que o abandono de corpos em vias públicas pode representar um desafio às forças de segurança e ao sistema de Justiça.

“Estão desafiando o sistema de segurança e o sistema de Justiça”, afirmou à TV Globo.

A magistrada também chamou a atenção para a concentração de mortes em um período relativamente curto e levantou a possibilidade de uma intensificação de execuções relacionadas ao chamado tribunal do crime.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a polícia trabalha para esclarecer os casos e identificar os responsáveis. Segundo ele, há investigações com mandados de prisão preventiva decretados e outras nas quais os investigadores apuram a participação de suspeitos.

O secretário, no entanto, disse não ver ligação entre as ocorrências. Até a última atualização das informações, não havia confirmação de que algum dos suspeitos procurados tivesse sido preso.

Veja quem são as vítimas encontradas na capital paulista

O levantamento divulgado pelo g1 identificou as vítimas dos 14 casos investigados pelo DHPP na capital. Segundo a reportagem, são 12 homens e duas mulheres. Confira as ocorrências em ordem cronológica.

  • 5 de setembro — José Zito da Conceição: o corpo foi encontrado por garis dentro de um saco plástico na Rua Contos Gaúchescos, no Jabaquara, Zona Sul da capital. O cadáver estava amarrado com cordas.
  • 10 de setembro — Yasmin Dandara Silveira Brisola: o corpo foi localizado na Rua Osmano Ungaretti, na Vila Chuca, Zona Leste. A vítima estava enrolada em um cobertor e dentro de um saco plástico. Havia ferimentos provocados por disparos de arma de fogo, inclusive na região do rosto e da cabeça.
  • 10 de setembro — Filipe de Carvalho Cabral: encontrado no mesmo dia, a cerca de três quilômetros do local onde estava o corpo de Yasmin. O cadáver foi localizado em um terreno baldio na Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia, Zona Leste. Estava amarrado, enrolado em um cobertor e com a cabeça dentro de um saco plástico.
  • 13 de setembro — Rodrigo Machado de Albuquerque: o corpo foi encontrado ensacado na Avenida Eduardo Sabino de Oliveira, na Cidade Nitro Química, em São Miguel Paulista, Zona Leste.
  • 21 de setembro — Rafael Zimbarg Francez: o corpo foi localizado na Rua Herbert Smith, no Jardim Celeste, Zona Sul.
  • 26 de setembro — Hoeverton Luis Nascimento Araújo: natural do Paraná, ele havia desaparecido em 25 de setembro. O corpo foi encontrado no dia seguinte, na Vila Andrade, Zona Sul.
  • 30 de setembro — Lucas Reali De Paula: o corpo foi encontrado na Rua Tadao Inoue, no bairro Colônia, Zona Sul.
  • 2 de outubro — Célio Roberto Nascimento: o cadáver foi localizado dentro de um saco plástico em uma área de mata próxima a uma ciclovia no entorno do Parque Ecológico do Tietê, na Zona Leste. Os braços e as pernas estavam amarrados com fita adesiva.
  • 2 de outubro — Jean Victor Sousa Guimarães, de 22 anos: o corpo foi encontrado em uma área de mata na Rua Paulo da Silva, no Rio Pequeno, Zona Oeste. Imagens de uma câmera de segurança registraram quatro homens retirando um cadáver do porta-malas de um carro e abandonando-o no terreno. Jean estava com as mãos amarradas, a cabeça coberta por um saco plástico e cinco marcas de tiros na cabeça.
  • 12 de outubro — Jhonata Ricardo Guedes Moreira: o corpo foi encontrado dentro de um saco plástico na Rua José Pinheiro Bezerra, no Belenzinho, Zona Leste. A vítima estava amarrada.
  • 15 de outubro — Erivelton Rocha dos Santos: o corpo foi localizado no Jardim Reimberg, Zona Sul.
  • 19 de outubro — David Gabriel Santos Coelho: o corpo foi encontrado no Jardim Três Marias, Zona Leste.
  • 21 de outubro — Lucimara Garcia do Nascimento de Freitas, de 35 anos: a vítima foi encontrada esquartejada dentro de sacos plásticos nas proximidades da Marginal Tietê, na Vila Guilherme, Zona Norte. A cabeça e outras partes do corpo foram localizadas na Avenida Educador Paulo Freire. Natural de Camanducaia, em Minas Gerais, ela deixou um filho de 1 ano. A principal hipótese investigada é feminicídio. A Polícia Civil também apura uma possível relação com um homem morto em uma troca de tiros com policiais militares nas proximidades.

Casos na Grande São Paulo

Além das 14 ocorrências registradas na capital, três corpos foram encontrados em municípios da região metropolitana:

  • Itapecerica da Serra: vítima identificada pela polícia; o nome não foi informado.
  • Diadema: vítima identificada; sexo e nome não foram divulgados.
  • São Bernardo do Campo: vítima identificada; sexo e nome não foram divulgados.

As ocorrências são investigadas pelas delegacias responsáveis por cada município.

AgênciaModerna

SSP afirma que casos são apurados separadamente

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que os 17 casos são investigados individualmente e apresentam dinâmicas e circunstâncias distintas.

Segundo a pasta, o fato de algumas vítimas terem sido encontradas dentro de sacos plásticos ou envoltas em tecidos não é suficiente para estabelecer uma conexão entre os crimes.

A secretaria também esclareceu que outras duas mortes registradas em 22 de outubro, nas zonas Oeste e Leste da capital, não fazem parte da lista de homicídios investigados pelo DHPP. Os casos são apurados pelo 7º Distrito Policial, na Lapa, e pelo 69º Distrito Policial, no Teotônio Vilela, como mortes suspeitas, pois as vítimas não apresentavam sinais aparentes de violência. A classificação definitiva depende dos laudos periciais.

Um levantamento da TV Globo apontou que 20 corpos foram encontrados na capital e na Grande São Paulo desde setembro. A diferença em relação aos 17 casos contabilizados pela SSP ocorre porque algumas mortes ainda estão sob análise para determinar se houve homicídio.

Até o momento, portanto, as autoridades não confirmaram uma conexão entre as ocorrências. As investigações seguem para esclarecer as circunstâncias das mortes e identificar os responsáveis.

Corpo de Jonata é encontrado amarrado e ensacado em 12

de outubro na Zona Leste de São Paulo. — Foto: Reprodução

Fonte: G1

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