Confronto na Câmara: Glauber Braga é retirado à força após protesto

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© Frame Deputado Glauber Braga/Facebook
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O plenário da Câmara dos Deputados foi palco de um incidente de alta tensão na tarde desta terça-feira (9), quando o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência da Casa em um ato de protesto. A ação culminou na sua retirada à força por agentes da Polícia Legislativa Federal, marcando um dos momentos mais turbulentos da atual legislatura. O episódio se deu após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar a pauta de votação de diversos pedidos de cassação de mandato, incluindo o de Braga, e um projeto controverso que visa reduzir penas de envolvidos em atos golpistas. A controvérsia gerou uma rápida escalada de eventos, com o sinal da TV Câmara sendo cortado e a imprensa sendo impedida de acompanhar o desdobramento da situação.

Ocupação e retirada: detalhes do incidente

A tarde no plenário Ulysses Guimarães da Câmara dos Deputados transformou-se em cenário de embate político. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) surpreendeu ao sentar-se na cadeira da presidência da Casa, um gesto de protesto direto contra as decisões do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). Diante dos parlamentares e assessores presentes, Braga proferiu palavras desafiadoras, afirmando: “Que me arranquem desta cadeira e me tirem do plenário”. A provocação foi prontamente atendida. Em menos de uma hora de sua ocupação, agentes da Polícia Legislativa Federal intervieram, retirando o parlamentar à força.

O protesto e as primeiras reações

O ato de Glauber Braga iniciou-se em resposta à pauta anunciada por Motta, que incluía não apenas o pedido de cassação do próprio Braga, mas também os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), ambos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, a mesa diretora havia incluído a votação de um projeto para reduzir as penas dos envolvidos na chamada “trama golpista”, uma medida que o deputado do PSOL classificou como anistia.

O momento da retirada foi registrado por deputados aliados, que manifestaram forte protesto contra a ação. Vídeos divulgados mostram o tumulto enquanto Glauber Braga era afastado da mesa. Simultaneamente à intervenção policial, o sinal da TV Câmara, que transmitia a sessão ao vivo, foi abruptamente cortado. A imprensa, que acompanhava os trabalhos do plenário e da galeria, foi retirada de forma obrigatória, impedindo a cobertura detalhada do ocorrido. Até o momento, a decisão de cortar a transmissão e esvaziar o plenário e a galeria não foi oficialmente atribuída a Hugo Motta, embora a medida tenha gerado forte indignação entre os parlamentares de oposição e a comunidade jornalística.

O pano de fundo político da ação

A ocupação da presidência da Câmara por Glauber Braga não foi um ato isolado, mas sim o ápice de tensões crescentes no ambiente legislativo, impulsionadas por pautas consideradas sensíveis e divergentes. O protesto de Braga estava intrinsecamente ligado a uma série de decisões e processos que, em sua visão, representam uma ofensiva contra as liberdades democráticas.

Casos de cassação e a pauta controversa

O pedido de cassação do mandato de Glauber Braga, que seria levado a plenário, remonta a um incidente ocorrido no ano anterior, quando o deputado agrediu um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) com um chute, após ser provocado. Paralelamente, os pedidos de cassação de Carla Zambelli e Delegado Ramagem, cujos casos não possuem relação direta com o de Braga, também estavam na pauta. Zambelli e Ramagem foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal em processos distintos, adicionando mais camadas de complexidade à situação.

Contudo, a maior fonte de atrito para Braga e a oposição foi a inclusão na pauta da votação de um projeto de lei que visa a redução das penas para indivíduos condenados por atos considerados golpistas. O deputado do PSOL classificou essa medida como uma tentativa de anistia disfarçada, que poderia beneficiar figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro, reduzindo sua possível inelegibilidade e permitindo a manutenção dos direitos políticos de outros envolvidos, como Eduardo Bolsonaro, caso fossem desligados por faltas sem perda de elegibilidade. Essa combinação de pautas, segundo Braga, delineava um “pacote golpista” que ameaçava a integridade democrática do país.

As justificativas e críticas do deputado Glauber Braga

Após ser retirado do plenário com as roupas parcialmente rasgadas, Glauber Braga foi encaminhado ao Salão Verde, onde concedeu declarações à imprensa, acompanhado por deputados aliados. Visivelmente abalado, mas firme em suas convicções, o parlamentar fez duras críticas à ação policial e à postura do presidente da Câmara, Hugo Motta.

A postura de Motta e o “pacote golpista”

Braga questionou a coerência de Motta, que, segundo ele, buscava apresentar-se como um ponto de equilíbrio entre diferentes forças políticas. “Isso é uma mentira”, afirmou Braga, traçando um paralelo com um incidente anterior, ocorrido em agosto, quando deputados de oposição obstruíram fisicamente a mesa diretora do plenário por cerca de 48 horas. Naquela ocasião, não houve retirada forçada dos parlamentares, nem qualquer tipo de punição. “Com os golpistas que sequestraram a mesa, sobrou docilidade, agora com quem não entra no jogo deles, é porrada”, criticou o deputado, ressaltando que sua ocupação durou “poucas horas” em comparação às 48 horas da obstrução anterior.

O deputado reiterou que sua luta não era meramente pela manutenção de seu mandato, mas sim pela defesa das liberdades democráticas. Ele classificou a pauta de votações como parte de uma “ofensiva golpista”, destacando a relação entre a possível cassação de seu mandato, a inelegibilidade por oito anos, e a votação da “anistia” (que ele insistiu não ser mera dosimetria de pena), que poderia resultar na redução da pena de Jair Bolsonaro e na preservação dos direitos políticos de Eduardo Bolsonaro. “Eles podem até cassar o mandato, mas eles têm que ter a certeza que, até o último minuto, eu vou estar lutando não é por mim, pelo mandato, não. Eu vou estar lutando para que eles não firam as liberdades democráticas em um pacote golpista”, concluiu Braga, alertando que a ação de hoje contra ele poderia se repetir amanhã com outras forças populares e democráticas.

A posição da presidência da câmara

Em resposta às críticas e ao incidente no plenário, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou as redes sociais, especificamente a plataforma X, para defender a atuação da Casa e rebater as acusações de Glauber Braga. Sua nota oficial buscou justificar a ação policial e a interrupção da transmissão, colocando a responsabilidade no comportamento do deputado do PSOL.

Hugo Motta defende a instituição e critica o extremismo

Motta afirmou que Glauber Braga desrespeitou a Câmara dos Deputados e o Poder Legislativo como um todo. Ele apontou que a ação não era um fato isolado, mencionando que Braga já havia ocupado uma comissão em greve de fome por mais de uma semana, caracterizando a postura como “reincidente”. O presidente da Câmara enfatizou a necessidade de proteger a democracia, criticando o que ele chamou de “agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições”.

Em sua nota, Motta traçou um paralelo entre o comportamento de Braga e o extremismo, afirmando que “o extremismo não tem lado porque, para o extremista, só existe um lado: o dele”. Ele defendeu que “a democracia precisa ser defendida do grito, do gesto autoritário, da intimidação travestida de ato político”. O presidente da Câmara reiterou o compromisso da instituição com a ordem e o respeito às regras, especialmente diante de atos que ele considerou desestabilizadores. Motta também informou ter determinado a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa durante o incidente, reconhecendo a importância da liberdade de imprensa.

Desdobramentos e o futuro político

O incidente na Câmara dos Deputados teve repercussões imediatas e abriu caminho para desdobramentos significativos nos próximos dias. Glauber Braga, após a retirada forçada, foi encaminhado ao Salão Verde, uma área adjacente ao plenário, onde pôde se manifestar à imprensa, ainda com as vestes parcialmente danificadas. A sua presença no local, ao lado de parlamentares que o apoiavam, serviu para amplificar suas críticas e a sua versão dos fatos.

A controvérsia sobre o corte do sinal da TV Câmara e a retirada da imprensa gerou preocupações com a transparência e a liberdade de informação. Embora Hugo Motta tenha declarado que determinaria a apuração de possíveis excessos, a medida já havia impedido o registro público e independente dos detalhes da intervenção policial. O episódio também joga luz sobre as tensões entre a segurança legislativa e os direitos dos parlamentares de manifestação, bem como a liberdade de imprensa.

O foco agora se volta para a votação agendada para o dia seguinte (10), quando o plenário da Câmara deve deliberar sobre o pedido de cassação do mandato de Glauber Braga. Além disso, as votações dos processos de Zambelli e Ramagem, e especialmente o projeto da dosimetria das penas para os envolvidos na “trama golpista”, prometem manter o ambiente político aquecido. A polarização em torno dessas pautas e a forma como o incidente foi conduzido evidenciam as profundas divisões e os desafios enfrentados pelo Congresso Nacional na gestão de conflitos e na preservação da institucionalidade democrática.

Conclusão

O confronto que levou à retirada forçada do deputado Glauber Braga da mesa da presidência da Câmara dos Deputados marca um ponto alto de tensão na política nacional. O episódio, motivado por pautas controversas e por uma interpretação divergente sobre a conduta parlamentar, expôs as fissuras e a profunda polarização que permeiam o ambiente legislativo brasileiro. Enquanto Braga e seus aliados denunciam uma “ofensiva golpista” e a seletividade na aplicação de regras, o presidente da Câmara, Hugo Motta, defende a institucionalidade e critica o extremismo. Os desdobramentos das votações de cassação e do projeto de redução de penas serão cruciais para o futuro de diversos mandatos e para a própria dinâmica das relações políticas no Congresso, sinalizando a continuidade de um período de intensos debates e disputas.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que motivou a ocupação da mesa pelo deputado Glauber Braga?
A ocupação foi um protesto contra a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta, de pautar simultaneamente o pedido de cassação do próprio Glauber Braga, os processos de Carla Zambelli e Delegado Ramagem, e um projeto de lei para reduzir penas de envolvidos em atos golpistas, o que Braga classificou como anistia.

Quais foram as acusações do deputado Hugo Motta contra Glauber Braga?
Hugo Motta acusou Glauber Braga de desrespeitar a Câmara e o Poder Legislativo de forma reincidente. Ele equiparou o comportamento de Braga ao extremismo, argumentando que a democracia precisa ser protegida de atos autoritários e de intimidação.

O que acontece agora com o pedido de cassação de Glauber Braga?
O pedido de cassação do mandato de Glauber Braga está agendado para votação no plenário da Câmara dos Deputados no dia seguinte ao incidente (10). Ele pode perder seu mandato caso a cassação seja aprovada.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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