Prefeitura de São Paulo decide manter grama natural em praça da Vila

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G1
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A Praça Rosa Alves da Silva, um importante espaço de lazer e convívio na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, será revitalizada com a manutenção de sua grama natural, contrariando uma proposta inicial de substituição por material sintético. A decisão da Subprefeitura da Vila Mariana veio após intensa mobilização de moradores e especialistas, que expressaram preocupações ambientais e sociais sobre a mudança. O projeto original, que previa a instalação de um campo de rugby com gramado sintético, gerou um amplo debate sobre a utilização dos espaços públicos e a preservação dos ecossistemas urbanos. Agora, o local que mistura gramado natural e terra batida será aprimorado, garantindo a continuidade de seu uso coletivo e a proteção de suas características ambientais.

A controvérsia da grama sintética

O projeto original e as preocupações da comunidade

A proposta de revitalização da Praça Rosa Alves da Silva, localizada na Rua Machado de Assis, quase na divisa entre a Vila Mariana e a Aclimação, previa a transformação do atual “campão” em um campo sintético de rugby. Este “campão”, uma área de mais de 13 mil m² que já abrigou uma garagem da antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), é hoje um local de lazer multifuncional, utilizado para atividades esportivas diversas e circulação de animais domésticos.

A comunidade local, no entanto, alegou falta de comunicação prévia sobre a substituição do gramado. Os moradores manifestaram temor de que o campo sintético pudesse restringir o uso coletivo do espaço, historicamente compartilhado por diversos grupos, incluindo famílias, jogadores de futebol de várzea, atletas de rugby e donos de pets. Além disso, a proposta levantou uma série de preocupações ambientais, como o potencial aumento da temperatura na área (o que se conhece como “ilha de calor”), a impermeabilização do solo e a contaminação por microplásticos, substâncias que podem se desprender da grama sintética e atingir o solo e a água. O orçamento inicial da obra, que era de R$ 4.489.504,22, sofreu um aditamento de R$ 1 milhão a pedido da empresa responsável, elevando o custo total para R$ 5.588.004,16.

Riscos ambientais e o alerta de especialistas

A instalação de grama sintética na Praça Rosa Alves da Silva foi veementemente criticada por especialistas, que apontaram graves riscos ambientais. O botânico e arquiteto paisagista Ricardo Cardim destacou que o material sintético poderia transformar a praça em uma “ilha de calor”, elevando as temperaturas locais para até 70°C sob o sol, o que representa um perigo de queimaduras para crianças e outros usuários. Cardim também alertou para a toxicidade das borrachas usadas na composição da grama sintética e a liberação de microplásticos, que contaminariam o solo e as duas nascentes existentes no local, comprometendo a biodiversidade e a saúde ambiental da região.

Embora reconheça que a grama sintética possa oferecer vantagens em termos de desempenho esportivo e praticidade, o especialista argumentou que esses benefícios não compensam os impactos negativos, como o calor excessivo, a falta de permeabilidade do solo – crucial para a absorção de água da chuva – e o risco de queimaduras. Ele defendeu alternativas mais sustentáveis, como o uso de pisos permeáveis ou a manutenção de gramados naturais, que já cumprem bem a função esportiva, citando como exemplo os campos de futebol de várzea. A moradora Lina Ceschin reiterou a preocupação com os microplásticos, afirmando que “cai um absurdo de microplástico na rede fluvial”, mesmo com drenagem adequada, e que a grama sintética “corta, queima e precisa ser resfriada”.

A mobilização popular e a resposta da prefeitura

Protestos e abaixo-assinado

A insatisfação com a proposta de substituição da grama natural mobilizou a comunidade da Vila Mariana. Um grupo de moradores organizou um protesto que conseguiu suspender o início das obras. A ação incluiu o bloqueio das escavadeiras que chegavam ao local, com os manifestantes permanecendo na praça até terem certeza de que os trabalhos seriam paralisados. A mobilização também se traduziu em um abaixo-assinado que reuniu cerca de 2 mil assinaturas contra a instalação do gramado sintético.

Além dos protestos diretos, a comunidade acionou diversos órgãos e representantes políticos, como o Conselho Participativo Municipal, o Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz (Cades) e vereadores. A articulação foi fundamental para que as críticas fossem ouvidas e levadas em consideração nas instâncias de decisão. A moradora Lina Ceschin descreveu a persistência do grupo: “A gente fez um protesto no dia que chegaram as escavadeiras, a gente ficou lá. O grupo só saiu quando a gente tinha certeza que a obra não ia acontecer.”

O diálogo e a reversão da decisão

A intensa mobilização e o diálogo com os representantes da sociedade civil surtiram efeito. Em uma reunião recente, que contou com a participação de representantes da Câmara Municipal e moradores, a Subprefeitura da Vila Mariana anunciou a revisão do projeto. Em comunicado oficial, o órgão informou que, após as discussões, foi decidido que a grama natural será mantida na revitalização da Praça Rosa Alves da Silva.

Essa mudança de curso reflete a sensibilidade da administração municipal à voz da comunidade e às preocupações levantadas por especialistas. A decisão final prioriza o caráter verde do espaço e inclui melhorias na drenagem, garantindo a preservação ambiental e a funcionalidade do campo. Apesar de a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) ter inicialmente afirmado que o entorno da praça não apresentava histórico de alagamentos e que a Vila Mariana contava com 39 “jardins de chuva” para captação de águas pluviais, os moradores relataram um alagamento na praça em um dia de chuva forte após essa declaração, reforçando a importância da permeabilidade do solo e da drenagem adequada.

O futuro da Praça e o poder da comunidade

A Praça Rosa Alves da Silva é um ecossistema compartilhado por moradores, donos de animais de estimação, jogadores de futebol e atletas de rugby. A moradora Lina Ceschin enfatiza que todos convivem harmoniosamente e que o local abriga duas nascentes, funcionando como um ecossistema equilibrado. O temor de que a federação de rugby pudesse assumir a gestão do campo e restringir o acesso a outros grupos era uma preocupação latente.

Com a decisão de manter a grama natural, o novo projeto buscará conciliar as diversas necessidades da comunidade. As intervenções prometem diversificar as atividades oferecidas, atingindo novos públicos sem prejudicar as modalidades esportivas já existentes. A requalificação, agora com grama natural, prevê a implantação de uma nova rede de drenagem, a reforma do parcão e da Academia da Terceira Idade (ATI), além da instalação de um parquinho sensorial voltado à primeira infância. Essas melhorias visam estimular o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, garantindo que o espaço continue sendo um ponto de encontro e lazer para todas as idades, com a previsão de início das obras na segunda quinzena de janeiro de 2026. A vitória da comunidade demonstra o poder da mobilização popular na defesa do patrimônio ambiental e social de São Paulo.

Perguntas frequentes

Qual foi a decisão final sobre a revitalização da Praça Rosa Alves da Silva?
A Subprefeitura da Vila Mariana decidiu manter a grama natural na Praça Rosa Alves da Silva, revertendo a proposta inicial de instalação de gramado sintético.

Por que a comunidade se opôs à instalação de grama sintética?
Os moradores e especialistas levantaram preocupações sobre a falta de comunicação prévia, a restrição do uso coletivo do espaço, o risco de “ilha de calor”, a impermeabilização do solo e a contaminação por microplásticos.

Quais são os detalhes do novo projeto para a praça?
O novo projeto prioriza o caráter verde do espaço, inclui melhorias na drenagem, a preservação ambiental e a ampliação do campo com grama natural. Também prevê a reforma do parcão, da Academia da Terceira Idade (ATI) e a instalação de um parquinho sensorial para a primeira infância.

Quando as obras de revitalização da praça estão previstas para começar?
A previsão para o início das obras é a segunda quinzena de janeiro de 2026.

Qual o orçamento atualizado para a revitalização da praça?
O valor total atualizado da obra é de R$ 5.588.004,16, após um aditamento contratual.

Acompanhe as próximas atualizações sobre projetos de urbanismo e meio ambiente em sua cidade. A participação cívica é fundamental para moldar o futuro de nossos espaços públicos.

Fonte: https://g1.globo.com

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