Butantan entrega vacina pioneira de dose única contra a dengue ao SUS

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G1
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O Brasil marca um avanço significativo na luta contra a dengue com o início da entrega das primeiras doses da vacina Butantan-DV ao Ministério da Saúde. Este imunizante, desenvolvido para ser administrado em dose única, representa um marco global, sendo o primeiro de sua categoria a oferecer proteção em um esquema vacinal simplificado. Com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de 12 a 59 anos, a chegada desta vacina contra a dengue é um passo crucial para fortalecer as defesas do país contra a doença. O lote inicial, composto por 300 mil doses, será direcionado prioritariamente aos profissionais da atenção primária à saúde, que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa reflete um esforço conjunto de pesquisa, produção e planejamento estratégico para enfrentar a doença, com projeções de expansão da produção e da cobertura vacinal em todo o território nacional nos próximos anos, consolidando a capacidade brasileira em biofarmacêutica.

A chegada do imunizante e sua aplicação estratégica

Marco histórico e eficácia comprovada

A entrega das primeiras 300 mil doses da Butantan-DV ao Ministério da Saúde representa um momento histórico para a saúde pública brasileira. Este imunizante se destaca por ser a primeira vacina contra a dengue de dose única no mundo, o que simplifica o esquema vacinal e pode aumentar significativamente a adesão da população. A Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa após rigorosos estudos que demonstraram sua alta eficácia: quase 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra casos graves e impressionantes 100% de proteção contra hospitalizações em pessoas de 12 a 59 anos.

A inovação não para por aí. Há estudos em andamento para a possível ampliação da faixa etária atendida pela vacina, visando incluir idosos acima de 60 anos e crianças de 2 a 11 anos, o que expandiria ainda mais o impacto da proteção. O contrato de aquisição entre o Ministério da Saúde e o produtor nacional estabelece um investimento inicial de R$ 368 milhões para o fornecimento de 3,9 milhões de doses do imunizante à rede pública. Desse total, 1,3 milhão de doses já foram fabricadas e estão prontas para distribuição, com a expectativa de que mais 1 milhão de doses sejam entregues até o final de janeiro de 2026 ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A aprovação para produção e comercialização, publicada pela Anvisa em 8 de dezembro, oficializou a conclusão do processo regulatório, garantindo que a vacina seja ofertada exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em celebração ao acordo, enfatizou a importância deste marco para o Brasil, ressaltando o trabalho conjunto de pesquisadores, trabalhadores e servidores que contribuíram para o desenvolvimento da vacina.

Estratégias de vacinação e expansão da produção

Público-alvo inicial e projetos-piloto

As primeiras doses da Butantan-DV serão prioritariamente destinadas aos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de todo o país. Essa estratégia visa proteger aqueles que atuam na linha de frente do SUS, incluindo agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares, com o início dessa ação previsto para o fim de janeiro de 2026.

Simultaneamente, o Ministério da Saúde implementará uma estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue. Para isso, serão realizadas ações de aceleração da vacinação em municípios-piloto: Botucatu (SP) e Maranguape (CE), podendo incluir Nova Lima (MG). Nestas localidades, o público-alvo será composto por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos. A definição do público prioritário foi resultado de reuniões técnicas com especialistas e recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI). A natureza de dose única do imunizante facilita a adesão e garante uma proteção eficaz em menor tempo, protegendo contra os quatro tipos de vírus da doença.

Investimento, parceria internacional e cenário complementar

A vacinação da população em geral será ampliada conforme o aumento da produção de doses. Para isso, uma parceria estratégica foi firmada entre o Brasil e a China, envolvendo a transferência de tecnologia desenvolvida nacionalmente para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Essa cooperação permitirá que a produção da vacina aumente em até 30 vezes. A estratégia de vacinação para a população geral iniciará com adultos a partir de 59 anos, com expansão gradual para faixas etárias mais jovens, até alcançar o público de 15 anos.

O desenvolvimento da Butantan-DV contou com um investimento substancial de R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além dos aportes permanentes do Ministério da Saúde, que destina mais de R$ 10 bilhões anuais para o fortalecimento de laboratórios públicos e a produção de imunizantes estratégicos para o SUS. Com a vacina da dengue e a parceria internacional, o investimento total deve chegar a R$ 15 bilhões. Adicionalmente, o Novo PAC Saúde prevê mais de R$ 1,2 bilhão para ampliar a capacidade produtiva do produtor nacional, incluindo a infraestrutura para a fabricação da vacina contra a dengue.

É importante notar que o SUS já oferece outra opção de vacina contra a dengue, produzida por um laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos e aplicada em duas doses. Desde sua incorporação em 2024, mais de 7,4 milhões de doses foram aplicadas, com 11,1 milhões de doses distribuídas e 7,8 milhões aplicadas entre 2024 e 2025.

Cenário epidemiológico e a importância da prevenção

Redução de casos e o combate contínuo

Apesar dos avanços na imunização, o cenário epidemiológico da dengue exige vigilância constante. Em 2025, o Brasil registrou uma redução de 75% nos casos prováveis de dengue e de 72% nos óbitos, em comparação com 2024. Embora esses dados sejam promissores, o combate ao Aedes aegypti e a manutenção das ações de prevenção permanecem fundamentais. O enfrentamento das arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, exige uma ação conjunta entre governo e sociedade.

Em novembro, foi lançada a campanha nacional “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya”, reforçando a importância das medidas preventivas. Entre as principais ações que a população pode adotar estão o uso de telas em janelas e repelentes em áreas de transmissão reconhecida, a remoção de recipientes que possam se tornar criadouros do mosquito, a vedação de reservatórios e caixas d’água, a limpeza de calhas, lajes e ralos, e a adesão e apoio às ações de prevenção e controle realizadas pelos profissionais do SUS. A vacinação é uma ferramenta poderosa, mas não substitui a necessidade de erradicar os focos do mosquito transmissor.

Desenvolvimento e validação científica

A vacina Butantan-DV é o resultado de mais de uma década de pesquisa e desenvolvimento, realizada em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIH). O pedido de registro foi submetido à Anvisa em 16 de dezembro de 2023, culminando na aprovação após um extenso acompanhamento de voluntários na fase 3 dos ensaios clínicos, que se estendeu por cinco anos.

Nos estudos de fase dois, a vacina demonstrou uma eficácia geral de 79,6% na prevenção de casos de dengue sintomática. Na fase três, a proteção alcançou 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, com eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos. Esse robusto processo de validação científica garante a segurança e a capacidade do imunizante de proteger a população contra os impactos mais severos da doença, reafirmando o compromisso com a saúde pública.

Perguntas frequentes sobre a vacina contra a dengue

Qual a principal característica da vacina Butantan-DV?
A principal característica da Butantan-DV é ser a primeira vacina contra a dengue de dose única no mundo, aprovada para pessoas de 12 a 59 anos, com alta eficácia contra casos gerais, graves e hospitalizações.

Quem receberá as primeiras doses da vacina?
As primeiras doses serão destinadas prioritariamente aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, incluindo agentes comunitários de saúde, enfermeiros e médicos que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em visitas domiciliares.

Como a produção da vacina será ampliada para atender a população?
A produção será ampliada por meio de uma parceria estratégica com a empresa chinesa WuXi Vaccines, que envolve a transferência de tecnologia. Essa colaboração permitirá um aumento de até 30 vezes na capacidade produtiva da vacina.

Existe outra vacina contra a dengue disponível no SUS?
Sim, o SUS já oferece a vacina produzida por um laboratório japonês, indicada para adolescentes de 10 a 14 anos e aplicada em duas doses.

Mantenha-se informado e continue com as medidas preventivas. Juntos, podemos combater a dengue.

Fonte: https://g1.globo.com

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