Em um evento que desafia as probabilidades e intriga a comunidade médica, um menino de apenas 4 anos de idade sobreviveu a uma queda do 10º andar de um prédio residencial em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O caso, envolvendo o pequeno Breno Fernandes Girdziauckas, tem sido classificado como “extraordinário” e “raríssimo” por especialistas, dado o impacto de uma queda do 10º andar, que corresponde a aproximadamente 30 metros de altura. Internado desde o último sábado (27) na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE), o quadro de saúde da criança é considerado estável, mas a jornada rumo à recuperação ainda é longa e complexa. A agilidade no socorro e a expertise médica têm sido apontadas como fatores cruciais.
O milagre da sobrevivência: um caso sem precedentes
A análise do especialista e a raridade do evento
O médico neurologista Francisco Vale, com quatro décadas de experiência e vasta formação acadêmica, incluindo mestrado, doutorado e docência em medicina, não hesitou em classificar a sobrevivência de Breno como um fenômeno extraordinário. Mesmo não fazendo parte da equipe que acompanha diretamente o garoto, o especialista ressalta a dificuldade de encontrar, sob uma perspectiva científica rigorosa, elementos que possam justificar tamanha resistência a uma queda de aproximadamente 30 metros de altura.
“Sobreviver a uma queda de 10º andar é um caso extraordinário, é raro. Eu não consigo imaginar com facilidade elementos que possam ter proporcionado essa sobrevivência de uma queda tão alta, de uma altura tão grande”, afirmou o neurologista, destacando que as condições exatas da queda, como o ângulo de impacto, são objeto de especulação e dificilmente explicariam a raridade do evento. Essa observação sublinha a natureza quase inacreditável do acontecimento, que desafia as expectativas médicas e a compreensão comum sobre os limites da resiliência humana, especialmente em uma criança tão jovem.
A dinâmica da queda e os fatores atenuantes
Obstáculos na trajetória e a teoria da “queda amortecida”
Detalhes da investigação revelaram que, durante a queda do banheiro do apartamento no 10º andar, Breno atingiu uma janela no oitavo andar e, em seguida, um corrimão da área comum do edifício antes de tocar o solo. Essa sequência de eventos levantou a hipótese de que esses impactos intermediários pudessem ter amortecido a queda, contribuindo para a sobrevivência da criança.
No entanto, o médico Francisco Vale mantém uma postura cautelosa. Ele avalia que, embora os obstáculos possam ter alterado ligeiramente a trajetória, uma janela no oitavo andar ainda representa uma altura considerável, insuficiente para reduzir significativamente a velocidade de um corpo em queda livre a ponto de garantir a sobrevivência de forma consistente. “Ela pode ter batido em outras janelas. E a forma como ela caiu, talvez apoiando parcialmente os membros inferiores e fazendo movimento de gangorra, são coisas que a gente pode imaginar, especular. Mas em todas as situações de especulação é muito raro”, reitera o especialista, reforçando que, independentemente de qualquer fator atenuante, o desfecho favorável permanece uma exceção marcante. A investigação policial ainda busca detalhes que possam esclarecer completamente a dinâmica.
O quadro clínico e os desafios da recuperação
Lesões, cirurgias e a longa jornada à frente
Breno Fernandes Girdziauckas foi diagnosticado com politraumatismo, um termo médico que descreve a ocorrência de múltiplas lesões graves em diferentes partes do corpo. Especificamente, o menino sofreu fraturas nos dois fêmures, os ossos mais longos e fortes das pernas, e em um dos pés. As lesões exigiram intervenção cirúrgica imediata; ele já passou por duas cirurgias nos membros inferiores na última segunda-feira (29), visando estabilizar as fraturas e iniciar o processo de reparação.
O pai de Breno, Carlos Daniel Fernandes, informou que, na última terça-feira (30), os médicos iniciaram a retirada da sedação, um passo importante que indica a estabilidade do quadro geral da criança. Contudo, a recuperação completa será um processo demorado, que envolverá novas intervenções cirúrgicas e um acompanhamento médico intensivo. A equipe de saúde está dedicada a proporcionar o melhor tratamento possível para o menino, que demonstra uma impressionante força de vontade.
A incerteza sobre possíveis sequelas
Apesar da estabilidade inicial, o neurologista Francisco Vale enfatiza que é prematuro fazer qualquer prognóstico sobre possíveis sequelas, sejam elas de natureza ortopédica, decorrentes das múltiplas fraturas, ou neurológica, que podem ser ainda mais complexas e difíceis de detectar precocemente. “É cedo para falar em sequelas porque não sabemos que tipo de lesão ela pode ter tido no cérebro. Em uma queda dessa altura, mesmo que ela não bata a cabeça diretamente, o choque da queda faz o cérebro se movimentar muito violentamente dentro do crânio e pode haver contusões no cérebro ainda assim”, explica o médico.
Essa movimentação brusca do cérebro dentro da caixa craniana, conhecida como lesão por aceleração-desaceleração, pode causar danos significativos aos tecidos cerebrais e vasos sanguíneos, resultando em sequelas cognitivas, motoras ou sensoriais que só se manifestam após um período de observação e reabilitação. A equipe médica monitora constantemente o desenvolvimento de Breno para intervir precocemente em qualquer sinal de complicação.
O papel crucial do atendimento de emergência
Agilidade no resgate e excelência hospitalar
Um dos fatores mais destacados pelo especialista para o aumento das chances de sobrevivência e redução de sequelas foi a agilidade no socorro. Logo após o acidente, Breno foi prontamente atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Após ser estabilizado no local, a criança foi transportada para a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE), que se encontrava a apenas dois minutos de distância do apartamento onde mora.
“Aumenta as chances de sobrevivência, aumenta a chance de reduzir sequelas porque foi atendido prontamente e está sendo atendido em um hospital de excelência, que é o Hospital das Clínicas. É um fato para ser relatado porque é extraordinário”, pontuou o Dr. Vale, ressaltando a importância vital de um sistema de emergência eficiente e de acesso rápido a um centro médico de referência. A combinação desses elementos, aliada à resistência surpreendente do menino, criou um cenário que permitiu a Breno ter uma chance real de recuperação, transformando um acidente potencialmente fatal em um caso de resiliência e esperança.
Os detalhes do acidente e a investigação
Cronologia dos fatos e a natureza acidental
O dramático acidente ocorreu por volta das 15h30 de sábado. Breno, que é autista não verbal, conseguiu acessar a janela do banheiro do apartamento, que, tragicamente, não possuía grade de proteção. A mãe de Breno, uma psicóloga, relatou à polícia que estava com o marido próximo ao quarto quando ouviu um barulho. Ao ir verificar o banheiro, achando que o filho estaria lá, percebeu o cômodo vazio e imediatamente associou que o menino havia caído pela janela.
Em um ato desesperado, a mãe correu até o térreo do edifício, onde encontrou a criança já no solo da área comum do condomínio. Surpreendentemente, Breno ainda estava consciente, apesar das graves lesões nas pernas. A irmã do menino acionou rapidamente o Samu, que realizou os procedimentos de urgência e o encaminhou para a Unidade de Emergência do HC. O caso foi registrado na Polícia Civil como queda acidental, e foram solicitados exames ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar no completo esclarecimento das circunstâncias do ocorrido e garantir que todos os detalhes sejam devidamente documentados.
Perguntas frequentes
Qual a altura da queda e a idade do menino?
O menino Breno Fernandes Girdziauckas tem 4 anos de idade e caiu do 10º andar de um prédio em Ribeirão Preto, o que corresponde a uma altura de aproximadamente 30 metros.
Quais as lesões sofridas pelo menino?
Breno sofreu politraumatismo, com fraturas nos dois fêmures e em um dos pés. Ele já passou por duas cirurgias nos membros inferiores.
O que os médicos dizem sobre a sobrevivência?
O médico neurologista Francisco Vale classificou a sobrevivência como “extraordinária” e “rara”, destacando a dificuldade científica em explicar a resistência da criança a uma queda de tamanha altura.
Houve fatores que contribuíram para a sobrevivência?
Durante a queda, Breno atingiu uma janela no oitavo andar e um corrimão da área comum. Além disso, a agilidade no atendimento do Samu e o transporte rápido para um hospital de excelência, como o HC-UE, foram cruciais para aumentar as chances de sobrevivência e reduzir possíveis sequelas.
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Fonte: https://g1.globo.com



