Açaí Envenenado: Vítima Defende Namorada Indiciada por Tentativa de Homicídio

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G1
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O caso de envenenamento por açaí que levou o auxiliar de manutenção Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos, à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) continua a se desdobrar com nuances inesperadas. Apesar de sua namorada, Larissa de Souza, de 26 anos, ter sido indiciada por tentativa de homicídio qualificado, o próprio Adenilson mantém-se firme na crença da inocência dela, o que adiciona uma camada de complexidade e mistério à investigação. A substância tóxica, identificada como terbufós, um dos componentes do conhecido “chumbinho”, transformou um simples lanche em um incidente que mobilizou as autoridades policiais e o Ministério Público.

A Persistência da Vítima na Defesa da Namorada

As declarações de Adenilson, registradas no inquérito policial finalizado em 23 de março e acessadas pelo g1, revelam uma relação que ele descreve como harmoniosa, negando qualquer motivo para um crime de tamanha gravidade. Conforme a advogada Jéssica Nozé, que representa tanto Adenilson quanto Larissa, o auxiliar de manutenção foi categórico ao afirmar que o açaí chegou lacrado, “fechadinho, fechadinho, sem burla nenhuma”, e que ele próprio o abriu. Essa consistência em seu depoimento tem sido um ponto central na defesa da namorada, com Adenilson reafirmando sua convicção na ausência de culpa de Larissa.

O Andamento das Investigações e as Ações Legais

Apesar do posicionamento da vítima, a Polícia Civil concluiu as investigações indiciando Larissa de Souza por tentativa de homicídio qualificado. A namorada, por sua vez, nega veementemente qualquer envolvimento com o envenenamento. Em um desdobramento do caso, o Ministério Público solicitou diligências adicionais à Polícia Civil para aprofundar a apuração sobre o momento exato em que a substância tóxica foi introduzida no alimento. Adicionalmente, o MP indeferiu o pedido de prisão preventiva de Larissa, indicando que mais esclarecimentos são necessários antes de medidas mais drásticas.

A Reconstrução dos Fatos Através de Câmeras de Segurança

A cronologia do incidente, ocorrido em 5 de fevereiro, foi parcialmente reconstituída por imagens de câmeras de segurança. O registro mostra Larissa retirando dois copos de açaí em uma loja na Avenida Barão do Bananal, zona Leste. Ao chegar em casa de carro com Adenilson, ela entregou um dos copos ao namorado. No entanto, o que intrigou os investigadores foi o momento em que Adenilson deixou o copo no chão e saiu com o carro. Pouco depois, Larissa retornou, recolheu o açaí e entrou novamente na residência. Minutos depois, Adenilson retornou. O delegado José Carvalho de Araújo Júnior indicou que a investigação foca neste período, pois “em algum momento, alguém colocou veneno no copo”, sugerindo que Larissa possa ter manuseado o copo de forma suspeita durante a ausência do namorado. A hipótese de que o veneno pudesse ter sido adicionado no próprio estabelecimento foi descartada desde o início, uma vez que o preparo dos alimentos foi filmado, sem qualquer atitude suspeita por parte dos funcionários.

As Provas Forenses e a Postura de Adenilson Pós-Indiciação

Um laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a presença de terbufós no copo de açaí consumido, corroborando que a substância tóxica, usualmente empregada como defensivo agrícola para controle de pragas, foi a causa do mal-estar de Adenilson. Em meio a estas evidências e ao indiciamento de Larissa, Adenilson não apenas reafirmou sua crença na inocência da namorada em depoimento policial, como também protocolou uma petição. Neste documento, ele considera as investigações que apontam Larissa como culpada “infundadas” e chegou a assinar uma declaração de próprio punho, enfatizando que não possui interesse em ver Larissa presa ou processada. Ele argumenta ainda que não existem seguros de vida ou bens que pudessem beneficiar a namorada, descartando qualquer possível motivo financeiro para o crime.

Após um período de internação na UTI do Hospital das Clínicas, Adenilson Ferreira Parente se recuperou plenamente e já recebeu alta, encontrando-se em bom estado de saúde. Contudo, o caso permanece sob análise, com as autoridades buscando esclarecer os pontos obscuros e determinar com precisão a autoria e as circunstâncias do envenenamento, mantendo a atenção sobre a complexa dinâmica entre a vítima e a indiciada.

Fonte: https://g1.globo.com

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