Estudo confirma Alcatrazes como área de reprodução do tubarão-mangona no litoral paulista

Preservar os oceanos é garantir o futuro das espécies que dependem deles.

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Tubarão-Touro (Carcharias taurus) 

Foto: scubalynne / iNaturalist

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) confirmou que o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte paulista, é um importante local de reprodução do tubarão-mangona (Carcharias taurus), espécie classificada como criticamente ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A pesquisa registrou machos adultos, fêmeas com marcas recentes de acasalamento e uma fêmea grávida, evidências que mostram que a unidade de conservação é utilizada em fases essenciais do ciclo reprodutivo da espécie.

O levantamento foi conduzido pelo Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Labecmar) da Unifesp, que monitora a biodiversidade de Alcatrazes desde 2015. Para observar os animais sem interferir em seu comportamento, os pesquisadores utilizaram a técnica de estereofilmagem subaquática remota com isca (BRUV), além de registros obtidos por meio da ciência cidadã, com a colaboração de mergulhadores.

Tubarão-Touro (Carcharias taurus)

Foto: mattdowse / iNaturalist

As análises, realizadas entre 2022 e 2025, revelaram grupos de até dez tubarões-mangona durante os períodos de inverno e verão. Entre os registros mais importantes estão imagens de uma fêmea grávida e de outra com cicatrizes provocadas por mordidas de acasalamento, características típicas do comportamento reprodutivo da espécie.

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Segundo os pesquisadores, os dados reforçam que o arquipélago desempenha papel estratégico para a conservação do tubarão-mangona, que apresenta uma das menores taxas de reprodução entre os tubarões. A espécie gera apenas dois filhotes por gestação e possui um fenômeno raro conhecido como viviparidade adelfofágica, ou canibalismo intrauterino, em que os embriões mais desenvolvidos se alimentam de ovos e, em alguns casos, de outros embriões durante a gestação.

Encontrado principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o tubarão-mangona pode atingir até três metros de comprimento e pesar cerca de 150 quilos. Apesar da aparência intimidadora, marcada pelos dentes pontiagudos expostos, é considerado um animal de comportamento tranquilo e natação lenta.

Os cientistas destacam que a descoberta fortalece a importância das áreas marinhas protegidas para a preservação da biodiversidade e amplia o conhecimento sobre uma espécie ainda pouco estudada no país, ameaçada pela pesca incidental, perda de habitat, poluição e mudanças climáticas.

Tubarão-Touro (Carcharias taurus)

Foto: cuckoobrains / iNaturalist

Fonte: G1

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