Fontes de raios X hipersuaves foram identificadas em seis galáxias e apresentam uma combinação de baixa energia em raios X e forte radiação ultravioleta.
Astrônomos identificaram 84 objetos que não se encaixam nas classes conhecidas de fontes de raios X. Os corpos foram encontrados em seis galáxias, entre elas Andrômeda (M31) e a M101, conhecida como Galáxia do Catavento.
- Fontes de raios X hipersuaves foram identificadas em seis galáxias e apresentam uma combinação de baixa energia em raios X e forte radiação ultravioleta.
- Descoberta veio de dados do Chandra
- Sistemas binários são uma das principais hipóteses
- Pistas sobre as supernovas do tipo Ia
- Por que esses objetos demoraram a ser identificados?
O que chamou a atenção dos pesquisadores foi o comportamento incomum dessas fontes: elas emitem raios X de energia muito baixa, mas liberam grandes quantidades de radiação ultravioleta.
“Nunca encontramos um grupo de objetos que se comporte assim”, afirmou Mustafa Muhibullah, da Universidade do Alabama e autor principal do estudo.
Descoberta veio de dados do Chandra
A pesquisa utilizou o arquivo do Observatório de Raios X Chandra, da NASA. Os cientistas procuraram fontes que apareciam nas imagens obtidas nas faixas mais baixas de energia e desapareciam quando os dados eram analisados em níveis mais altos.
Por esse comportamento, o grupo foi classificado como “fontes hipersuaves de raios X”.
O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, é assinado por Mustafa Muhibullah e Jimmy Irwin, também da Universidade do Alabama.
Apesar da importância da descoberta, os pesquisadores ainda não sabem exatamente qual fenômeno produz essa combinação de radiações.
Sistemas binários são uma das principais hipóteses
Uma das explicações consideradas mais prováveis envolve sistemas estelares binários. Neles, um objeto compacto — como um buraco negro, uma estrela de nêutrons ou uma anã branca — pode retirar matéria de uma estrela companheira.
O material capturado se aquece antes de cair sobre o objeto compacto e, nesse processo, passa a emitir radiação.
Os astrônomos investigam especialmente a possibilidade de algumas dessas fontes envolverem anãs brancas acumulando matéria
Pistas sobre as supernovas do tipo Ia
Se essa hipótese estiver correta, algumas das fontes podem representar estágios anteriores às supernovas do tipo Ia, explosões estelares extremamente luminosas.

Essas explosões são importantes para a astronomia porque funcionam como referências para medir distâncias cósmicas e estudar a expansão do Universo. Ainda assim, os cientistas não têm uma resposta definitiva sobre quais sistemas dão origem a todas as supernovas desse tipo.
“Seria realmente importante detectá-las antes que explodissem”, destacou Jimmy Irwin, coautor do trabalho.
Por que esses objetos demoraram a ser identificados?
A combinação de características também ajuda a explicar por que as fontes permaneceram escondidas por tanto tempo.
Os raios X de baixa energia são difíceis de detectar, enquanto a radiação ultravioleta extrema pode ser absorvida pelo hidrogênio e pelo hélio presentes no espaço entre as estrelas.
As 84 fontes foram encontradas em M31, M101 e outras quatro galáxias. Agora, a equipe pretende realizar novas observações para descobrir se todos os objetos pertencem à mesma categoria ou se o grupo reúne diferentes fenômenos astronômicos.
Agrupamento de 84 fontes pode esconder sistemas ligados a supernovas usadas para medir a expansão do Universo – Imagens geradas por AI
Fonte: IG Notícias









