
Nova plataforma automatizada poderá reduzir de seis meses para cerca de 40 dias o tempo necessário para analisar 20 mil amostras. Previsão é de operação plena em 2027.
O Instituto Butantan está investindo em uma plataforma robotizada para acelerar e aperfeiçoar os testes que avaliam a resposta imunológica de pessoas vacinadas. Desenvolvido em parceria com a empresa brasileira Loccus do Brasil, o sistema permitirá automatizar análises que atualmente dependem de diversas etapas manuais.
A tecnologia será instalada no Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS), núcleo do Butantan responsável pelo monitoramento de vírus e pela avaliação da eficácia de vacinas.
A expectativa é reduzir de aproximadamente seis meses para 40 dias o prazo de análise de 20 mil amostras. Além de diminuir custos, a medida deverá ampliar a autonomia do instituto, que atualmente encaminha parte significativa desse material para laboratórios parceiros no exterior.
Segundo a diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan e coordenadora do CeVIVAS, Sandra Coccuzzo, a automação também deverá aumentar a precisão e a rastreabilidade dos resultados, além de reduzir possíveis erros humanos e riscos de contaminação.
Como funciona a plataforma robotizada
O novo equipamento será utilizado nos chamados testes de microneutralização, que identificam e quantificam anticorpos capazes de neutralizar uma infecção viral.
O procedimento envolve diferentes etapas, como cultura celular, diluição de amostras, adição de vírus e reagentes, incubação, lavagem e leitura por fluorescência.
Atualmente, essas atividades exigem a movimentação manual de placas entre diferentes equipamentos. Com a nova plataforma, um braço robótico fará o transporte dos materiais entre pipetadores, lavadora, leitora de placas e estufa.
O conjunto poderá executar todo o processo de forma integrada, sem necessidade de intervenção manual durante a operação.
De acordo com os engenheiros da Loccus, a estrutura terá capacidade para processar 50 placas por semana. Para realizar o mesmo trabalho manualmente, seria necessária uma equipe estimada em 20 profissionais.
Sistema contempla braço robótico e equipamentos como pipetadores, lavadora, leitora de placas e estufa
Automação permitirá ampliar pesquisas
A modernização acompanha o crescimento da área de ensaios clínicos do Butantan, que aumentou expressivamente o volume de amostras recebidas pelo CeVIVAS.
Antes da implantação do novo sistema, os pesquisadores já haviam aprimorado os testes de microneutralização. As análises, que inicialmente apenas identificavam a presença ou ausência de anticorpos, passaram a permitir a quantificação dessas substâncias nas amostras.
Para Sandra Coccuzzo, a automação também representa uma oportunidade de valorizar o trabalho dos pesquisadores. Com menos tempo dedicado às atividades repetitivas, os profissionais poderão concentrar esforços na interpretação de dados, na inovação e no desenvolvimento de novas soluções.

A pesquisadora Maria Carolina Elias Sabbaga, também coordenadora do CeVIVAS, destaca que a experiência do instituto com a automação ganhou força durante a pandemia de Covid-19.
Em 2021, uma parceria com a Loccus resultou no desenvolvimento do LabMóvel, laboratório itinerante instalado em um contêiner para realizar diagnósticos e sequenciamento genômico do coronavírus em diferentes regiões paulistas.
Visão geral da estação automatizada e integrada
Plataforma deve operar plenamente em 2027
Em agosto de 2026, representantes do CeVIVAS visitaram a sede da Loccus, em Cotia, na Grande São Paulo, para acompanhar o funcionamento da plataforma e alinhar os detalhes técnicos de sua implantação.
O superintendente geral da Fundação Butantan, Marcio Augusto Lassance, também participou da visita e avaliou a possibilidade de ampliar o modelo de parceria para outros projetos do instituto.
Antes da instalação do equipamento, o laboratório passará por obras de adequação para atender às exigências dos ensaios clínicos. A previsão é que essa etapa seja concluída até o fim de 2026.
Após a instalação, a plataforma deverá passar pelo processo de certificação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa do Butantan é que o sistema esteja funcionando com capacidade total em 2027.
Segundo Sandra Coccuzzo, a tecnologia permitirá antecipar resultados importantes para o desenvolvimento de novas vacinas e dará mais autonomia ao instituto na condução de suas pesquisas.
Fonte: Agência SP





