Caloura da USP Confunde Assalto Violento com Trote e Mantém a Calma em Ribeirão Preto

5 Tempo de Leitura
G1
Anuncio Agentes de IA – Jornal Digital da Região

A transição para a vida universitária é, para muitos, um misto de euforia e novidade. Para Vitória dos Santos, caloura de Farmácia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, a experiência de apenas um dia na cidade se transformou em um pesadelo inesperado. Em sua primeira madrugada na república estudantil, um violento assalto ocorreu, mas a inusitada reação de Vitória – que confundiu a invasão criminosa com um trote universitário – tornou o incidente ainda mais surpreendente. A tranquilidade inicial da estudante perdurou até a chegada da polícia, marcando a dramática 'queda da ficha' sobre a gravidade da situação.

Madrugada de Terror na República Universitária

O incidente aconteceu na madrugada de domingo (5) em uma república localizada no bairro Monte Alegre, zona Oeste de Ribeirão Preto, uma região conhecida pela alta concentração de moradias estudantis devido à sua proximidade com a USP. Na ocasião, seis estudantes estavam na casa, sendo dois veteranos e quatro calouros, incluindo Vitória. Por volta das 4h, criminosos invadiram o local, dando início a cerca de 30 minutos de terror e incerteza para os jovens.

Vitória, que havia chegado à cidade apenas no dia anterior, relatou à EPTV que a inexperiência e a expectativa de vivenciar rituais de calouros a fizeram interpretar a situação de forma equivocada. Segundo ela, a serenidade diante do crime se manteve justamente pela crença de que tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto dos veteranos. A estudante só compreendeu a real dimensão do perigo quando as autoridades policiais chegaram ao local.

O Drama dos Estudantes sob Ameaça

A ação criminosa foi brutal e organizada. Os suspeitos conseguiram abrir o portão da república e, uma vez dentro, agiram com violência e ameaças. Juan Carlos Brito, estudante de Direito na USP, foi o primeiro a ser abordado. Ele descreveu o momento em que armas foram apontadas para ele, e os criminosos exigiam senhas e informações sobre objetos de valor. Após recolherem o que queriam, Juan foi amarrado, vendado e amordaçado, sendo forçado a virar-se para a parede enquanto os assaltantes agiam. Posteriormente, outros estudantes foram sendo confinados no mesmo quarto, e a percepção de que pessoas ainda estavam fora do alcance visual levou Juan ao desespero.

O objetivo dos assaltantes era claro: subtrair eletrônicos e bens de valor. Foram levados celulares, notebooks e tablets dos estudantes. Pedro Henrique de Souza, outro estudante de Farmácia que reside na república, mas não estava presente durante o assalto, soube pelos colegas que os criminosos entraram pela garagem. Ele detalhou que a quadrilha era composta por quatro indivíduos, com três agindo ativamente dentro da casa e um quarto fazendo a vigia. O grupo revirou a residência inteira, mexendo em roupas e guarda-roupas em busca de itens valiosos.

As Consequências e a Luta por Segurança

Durante todo o período em que permaneceram na república, os estudantes foram constantemente ameaçados de morte. Vitória relatou que os criminosos advertiram que qualquer tentativa de contato com a polícia resultaria na morte de todos os presentes. Após a fuga dos suspeitos, a Polícia Militar foi acionada e esteve no local. Um boletim de ocorrência foi registrado, e as imagens de câmeras de segurança da Rua Guia Lopes, compartilhadas por vizinhos, deverão ser analisadas para auxiliar na investigação. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado ou preso.

O impacto do assalto se estendeu além da perda material. Juan Carlos Brito expressou sua profunda preocupação com a segurança no bairro. Ele ressaltou que a proximidade entre as repúblicas universitárias faz com que a insegurança de uma seja a de todas. A percepção de perigo na região aumentou drasticamente, e a gravidade da situação só foi plenamente compreendida pelos estudantes quando enfrentaram uma arma apontada para suas cabeças, quebrando a ilusão de um ambiente universitário seguro e tranquilo.

O episódio serve como um alerta para a vulnerabilidade das repúblicas estudantis e para a necessidade de reforço na segurança em áreas próximas às universidades. Para Vitória e seus colegas, o primeiro dia de uma nova fase da vida foi abruptamente marcado por um trauma que ecoa na memória e na sensação de insegurança, desafiando a idealização do ambiente acadêmico.

Fonte: https://g1.globo.com

Compartilhe está notícia