O chamado “pink money” — expressão que se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+ — movimenta cifras bilionárias no Brasil e evidencia a importância econômica da diversidade. Segundo estimativas da consultoria Out Now, esse mercado pode alcançar R$ 420 bilhões por ano no país.
Historicamente associado a setores como turismo, entretenimento e lazer, o consumo da comunidade LGBT+ ganhou força nas últimas décadas e ampliou sua presença em diversos segmentos da economia. Nos anos 1990, bares e casas noturnas funcionavam como espaços de acolhimento e segurança para essa população. Foi nesse cenário que artistas como Silvetty Montilla consolidaram suas carreiras.
A partir dos anos 2000, o crescimento da visibilidade LGBT+ impulsionou eventos de grande porte, como a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Em 2025, segundo a Associação Comercial de São Paulo, a celebração movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia da capital paulista. Apesar da relevância econômica, organizadores afirmam que a captação de patrocínios ainda enfrenta desafios.
Ao mesmo tempo, cresce o debate sobre o chamado “pink washing”, prática em que empresas utilizam símbolos da comunidade LGBT+ para fins comerciais sem promover ações concretas de inclusão. Em resposta, iniciativas como o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ incentivam compromissos corporativos voltados à diversidade e à igualdade de oportunidades.
O impacto econômico também pode ser observado em eventos culturais de grande alcance. Os shows internacionais realizados na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, atraíram milhões de pessoas e geraram cerca de R$ 800 milhões para a economia local, beneficiando setores como comércio, hotelaria e serviços.
Apesar dos avanços, a exclusão ainda impõe custos elevados ao país. Estudo do Banco Mundial aponta que o Brasil perde mais de R$ 94 bilhões por ano devido à discriminação e às barreiras enfrentadas por pessoas LGBT+ no mercado de trabalho. A situação é ainda mais crítica para a população trans. Dados do Ipea mostram que apenas 25% das pessoas trans possuíam emprego formal em 2023, recebendo salários, em média, 32% inferiores aos da população em geral.
Diante desse cenário, iniciativas de empreendedorismo e capacitação surgem como instrumentos de transformação social, reforçando que inclusão, respeito e diversidade também representam desenvolvimento econômico e geração de oportunidades.
O episódio Pink Money: o Valor da Diversidade, do Caminhos da Reportagem, vai ao ar às 23h desta segunda-feira (8), na TV Brasil.



