Degradação do solo avança no país, pressiona recursos naturais e coloca em risco produção de alimentos; Caatinga concentra áreas mais críticas.
Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em áreas ameaçadas pela desertificação, um processo de degradação do solo que reduz a capacidade da terra de reter água e sustentar a vida.
O problema não significa necessariamente a formação de desertos. No Brasil, ele está associado principalmente ao desmatamento, ao uso inadequado da terra e às mudanças climáticas. As consequências atingem a produção de alimentos, a segurança hídrica, a biodiversidade e a economia.
Segundo dados da Sudene, aproximadamente 18% do território brasileiro está em Áreas Suscetíveis à Desertificação. Entre 2000 e 2020, a área afetada passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de km² — uma expansão equivalente à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
O fenômeno atinge principalmente os nove estados do Nordeste, além de áreas de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
A Caatinga é um dos biomas mais pressionados. Cerca de 11% de sua extensão apresenta deterioração crítica ou severa. Ao mesmo tempo, pesquisadores destacam o potencial do bioma para combater as mudanças climáticas, graças à capacidade de armazenar carbono no solo.
O Brasil participa da COP17 de Combate à Desertificação, na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto. Em março, o país lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação, com medidas para recuperar áreas degradadas e ampliar a segurança hídrica e produtiva.
Outra iniciativa é o Programa Recaatingar, que prevê recuperar 10 milhões de hectares da Caatinga em 20 anos. A proposta combina recuperação ambiental, agricultura familiar, conhecimento tradicional e adaptação climática.

Para especialistas, combater a desertificação significa preservar o solo, garantir água e proteger a produção de alimentos — com as comunidades locais no centro das soluções
O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Balsas, no Maranhão
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Fonte: ABN





