A data de 20 de janeiro marca anualmente o Dia Nacional da Parteira Tradicional no Brasil, uma celebração dedicada a reconhecer a inestimável contribuição dessas guardiãs do nascimento para a saúde e cultura do país. Longe dos holofotes da medicina convencional, as parteiras tradicionais desempenham um papel vital, especialmente em comunidades rurais e isoladas, onde o acesso a hospitais é limitado ou inexistente. Seu saber, transmitido por gerações, abrange não apenas as técnicas de auxílio ao parto, mas também conhecimentos sobre ervas medicinais, rituais de cuidado pós-parto e apoio emocional às gestantes e suas famílias. Essa herança ancestral, que molda a vida de milhões, foi formalmente reconhecida por lei em 2015, destacando a importância de preservar e valorizar essa prática milenar que continua a garantir nascimentos seguros e humanizados.
O legado ancestral das parteiras tradicionais
O conhecimento das parteiras tradicionais é um tesouro cultural que transcende a simples assistência ao parto. Essas mulheres são verdadeiras detentoras de um saber ancestral, passado de boca em boca, de geração em geração, que as capacita a atuar não apenas como obstetras comunitárias, mas também como curandeiras, rezadeiras e griôs – contadoras de histórias e guardiãs da memória coletiva. Em muitas comunidades, elas são as primeiras figuras de autoridade e confiança, acompanhando a mulher desde a gestação, durante o trabalho de parto e no puerpério, oferecendo um suporte holístico que considera o bem-estar físico, emocional e espiritual.
A transmissão de um saber milenar
O papel dessas profissionais vai além das técnicas de parto; elas dominam o uso de plantas medicinais para aliviar dores, induzir o trabalho de parto ou promover a recuperação pós-parto. Seus rituais e bençãos são parte integrante do processo de nascimento, conferindo um caráter sagrado e de acolhimento ao evento. Essa sabedoria é a base da sua atuação, forjada ao longo de séculos de observação e prática empírica. A inspiração para a escolha do dia 20 de janeiro como data de homenagem veio da figura emblemática de Juliana Magave de Souza, uma das mais antigas parteiras de Macapá, nascida em 1908. Sua longevidade e dedicação à arte de partejar representam o legado de tantas outras mulheres que, silenciosamente, contribuíram para a vida e saúde de suas comunidades, consolidando um patrimônio imaterial de valor inestimável para o Brasil. A história de Juliana simboliza a resiliência e a riqueza de um conhecimento que, apesar dos avanços tecnológicos, permanece relevante e insubstituível em diversos contextos.
Reconhecimento e avanços na legislação brasileira
A valorização do trabalho das parteiras tradicionais no Brasil deu um passo significativo com a formalização do Dia Nacional da Parteira Tradicional. O reconhecimento oficial, que ocorreu por meio de lei em 2015, durante a presidência de Dilma Rousseff, representou um marco importante para a categoria. Essa legislação não apenas homenageia essas profissionais, mas também busca fortalecer a sua atuação, garantir direitos e incentivar a preservação de seus conhecimentos, muitas vezes ameaçados pela modernização e pela falta de reconhecimento institucional. Antes da lei, muitas parteiras atuavam na informalidade, enfrentando preconceito e a ausência de amparo legal.
Da informalidade à proteção legal
A lei de 2015 trouxe visibilidade e um arcabouço para que discussões sobre a integração das parteiras tradicionais ao sistema de saúde pudessem avançar. Figuras como Suely Carvalho têm sido cruciais nesse processo. Ela é uma parteira tradicional, griô, rezadeira e curandeira xamânica, que dedicou sua vida à defesa e à promoção da sabedoria ancestral do parto. Suely é Mestra da Escola de Aprendizes de Parteira na Tradição, Coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil e Vice-presidente da Aliança Latino Americana de Parteiras (Alapar), além de Fundadora da ONG Cais do Parto. Há seis anos, ela lidera um grupo online da escola de saberes do Cais do Parto, um espaço dedicado à transmissão e perpetuação desse conhecimento vital. O Cais do Parto tem um papel fundamental na formação de novas parteiras e na disseminação das práticas humanizadas de parto, garantindo que a sabedoria acumulada ao longo de séculos não se perca. O reconhecimento legal permitiu que organizações como as lideradas por Suely Carvalho ganhassem mais força para pleitear políticas públicas que garantam a segurança e a valorização das parteiras, buscando uma coexistência harmoniosa entre o saber tradicional e a medicina moderna, sempre com foco na saúde e bem-estar das gestantes e dos recém-nascidos.
O futuro do parto e o papel das parteiras
O Dia Nacional da Parteira Tradicional é mais do que uma simples data comemorativa; é um lembrete perene da riqueza cultural e da importância prática do saber ancestral no Brasil. As parteiras tradicionais são pilares em suas comunidades, oferecendo um cuidado que é profundamente enraizado em valores humanizados e respeito às particularidades locais. A formalização de seu reconhecimento, impulsionada por figuras como Suely Carvalho e inspirada por legados como o de Juliana Magave de Souza, reflete um movimento crescente em direção à valorização da diversidade de abordagens no campo da saúde materna. Integrar esse conhecimento milenar com a medicina moderna não significa substituir um pelo outro, mas sim complementar e enriquecer as opções de cuidado disponíveis. A continuidade do apoio a essas profissionais, por meio de políticas públicas e da disseminação de seus saberes, é fundamental para garantir um futuro onde o parto seja sempre um evento seguro, respeitoso e culturalmente significativo para todas as mulheres brasileiras, preservando uma herança que é intrínseca à identidade nacional.
Perguntas frequentes
1. Quem são as parteiras tradicionais e qual o seu papel?
Parteiras tradicionais são mulheres com um profundo conhecimento ancestral e prático sobre o processo de gestação, parto e pós-parto. Elas atuam principalmente em comunidades rurais e isoladas, oferecendo assistência humanizada, utilizando técnicas tradicionais, ervas medicinais e apoio emocional e espiritual às gestantes e suas famílias.
2. Por que o dia 20 de janeiro foi escolhido como o Dia Nacional da Parteira Tradicional?
A data foi escolhida em homenagem a Juliana Magave de Souza, uma das mais antigas e respeitadas parteiras de Macapá, nascida em 1908. Sua vida e dedicação simbolizam o legado de todas as parteiras tradicionais do Brasil.
3. Como a lei de 2015 impactou o trabalho das parteiras tradicionais?
A lei de 2015, sancionada pela então presidente Dilma Rousseff, formalizou o reconhecimento do Dia Nacional da Parteira Tradicional. Esse marco legal conferiu visibilidade, amparo e valorização à categoria, abrindo caminho para discussões sobre sua integração aos sistemas de saúde e para a formulação de políticas públicas que garantam a preservação e o apoio a esse saber ancestral.
4. Qual a importância de Suely Carvalho para as parteiras tradicionais?
Suely Carvalho é uma figura central na defesa das parteiras tradicionais. Ela atua como Mestra de escolas de parteiras, Coordenadora da Rede Nacional de Parteiras Tradicionais do Brasil e Fundadora da ONG Cais do Parto, promovendo a transmissão do saber ancestral, o reconhecimento da categoria e a luta por seus direitos e valorização em nível nacional e latino-americano.
Para saber mais sobre o trabalho essencial das parteiras tradicionais e como apoiar a preservação desse valioso saber ancestral, visite os portais das redes de parteiras e instituições dedicadas ao parto humanizado.



