A chegada da seleção do Irã à Copa do Mundo de 2026 vai muito além do futebol. Em meio ao conflito militar que opõe Teerã e Washington desde fevereiro, a delegação iraniana desembarcou neste domingo (7) em Tijuana, no México, após uma mudança de última hora que evitou que a equipe permanecesse hospedada em território norte-americano.
Originalmente, a concentração seria no Arizona, mas o agravamento das tensões entre os dois países levou à transferência da base para o México. Ainda assim, o Irã terá de cruzar a fronteira para disputar seus três compromissos da fase de grupos, todos em cidades dos Estados Unidos.
A equipe estreia contra a Nova Zelândia, em 15 de junho, na região de Los Angeles. Depois enfrenta a Bélgica, em 21 de junho, e encerra a primeira fase diante do Egito, em 26 de junho, em Seattle.
O cenário é inédito na história dos Mundiais. Desde a primeira Copa, em 1930, nunca uma nação anfitriã recebeu a seleção de um país com o qual estivesse em guerra. O episódio expõe como a política internacional e o esporte voltam a se cruzar em um dos maiores eventos do planeta.
Embora os Estados Unidos tenham autorizado a entrada dos jogadores e dos profissionais considerados essenciais para a competição, a concessão dos vistos veio acompanhada de forte vigilância. Um representante do Departamento de Estado afirmou que o país não permitirá qualquer uso indevido do sistema de credenciamento e imigração.
Do lado iraniano, as críticas são contundentes. O embaixador do país no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou que as limitações impostas pelos vistos podem prejudicar o rendimento esportivo da equipe. Segundo ele, a necessidade de viagens frequentes entre México e Estados Unidos aumenta o desgaste físico dos atletas e reduz o tempo disponível para preparação.
O diplomata também procurou transmitir uma mensagem política ao destacar que a presença iraniana na Copa ocorre justamente enquanto o país enfrenta ataques militares. Para ele, a participação da seleção representa um gesto de diálogo e convivência em meio à escalada das tensões internacionais.
A situação se torna ainda mais delicada porque nem todos os integrantes da delegação receberam autorização para entrar nos Estados Unidos. Segundo a federação iraniana, 15 dos 70 membros do grupo seguem sem visto, incluindo dirigentes e funcionários considerados importantes para a logística da equipe.
A poucos dias da estreia, o Irã tenta se concentrar no futebol. Mas, desta vez, a disputa não acontece apenas dentro das quatro linhas. O Mundial de 2026 já se transforma em mais um palco das complexas relações entre diplomacia, segurança e esporte.




