Pesquisa revela transmissão acelerada da febre amarela em parque da capital paulista e reforça alerta para vacinação

Ciência e prevenção caminhando juntas para proteger vidas.

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Um estudo publicado na revista científica Nature Microbiology revelou como o vírus da febre amarela se espalhou de forma rápida e intensa em um fragmento florestal da cidade de São Paulo durante o surto registrado entre 2017 e 2018. A pesquisa reconstituiu a dinâmica da transmissão da doença no Horto Florestal, na zona norte da capital, e identificou um dos maiores potenciais de disseminação já registrados para uma enfermidade transmitida por mosquitos.

O primeiro sinal do surto ocorreu em outubro de 2017, após a descoberta da carcaça de um bugio infectado. Em apenas seis semanas, o vírus eliminou praticamente toda a população de bugios que vivia no parque, estimada em cerca de 80 animais.

Pela primeira vez, os pesquisadores calcularam o número básico de reprodução (R0) da febre amarela silvestre, estimado em 8,2. Isso significa que cada primata infectado poderia contribuir para a infecção de outros oito animais, em média, um índice considerado extremamente elevado para doenças transmitidas por vetores.

Segundo os autores, a rápida propagação foi favorecida por uma combinação de fatores, incluindo alta densidade de hospedeiros, grande quantidade de mosquitos transmissores e condições climáticas favoráveis. O principal vetor identificado foi o mosquito Haemagogus leucocelaenus, responsável pela transmissão da doença no ciclo silvestre.

O estudo também reforça a importância da vacinação preventiva. Os pesquisadores alertam que o intervalo entre a identificação dos primeiros casos em primatas e o pico de transmissão costuma ser muito curto, dificultando ações de imunização iniciadas apenas após a detecção de macacos mortos.

Além da análise epidemiológica, a pesquisa utilizou técnicas de sequenciamento genético, monitoramento de mosquitos e modelagem matemática para compreender como o vírus entrou e se espalhou pela região. Os resultados mostram que áreas de interface entre floresta e cidade representam pontos estratégicos para vigilância e controle da doença.

Os cientistas também destacam a importância da abordagem de Saúde Única, que integra a saúde humana, animal e ambiental. Durante as análises, foi identificada até mesmo uma coinfecção viral em um dos bugios estudados, indicando possíveis impactos da atividade humana nos ecossistemas urbanos.

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Para os pesquisadores, os resultados oferecem informações valiosas para aprimorar estratégias de prevenção, vigilância epidemiológica e resposta rápida a futuros surtos de febre amarela em áreas urbanas e periurbanas.

Parque Horto Florestal, na zona norte da cidade de São Paulo

Fonte: Agência Fapesp

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